FOLHA DE LONDRINA: Qual é hoje o serviço mais eficiente da prefeitura? E qual precisa de mais investimentos?
REITOR MOREIRA: Acho que o melhor serviço é a propaganda. Ela é excepcional em fazer propaganda, nenhum outro governo faz tão bem propaganda quanto a prefeitura. Faz bem e gasta. São R$ 128 milhões em quatro anos. Também acho que a educação é tocada meio inercialmente. Aconteceu que Curitiba ganhou aí a melhor nota no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Mas se for olhar com profundidade é muito pouco. Cinco em dez é pouco. Essa nota foi inercial porque temos bons professores. As pessoas que prestam serviço em Curitiba são comprometidas com o público.

FOLHA: No caso de eleito, o senhor vai dar continuidade ao projeto da Linha Verde?
MOREIRA: Mas bem feito, né?

FOLHA: Que mudança o senhor pretende fazer na Linha Verde?
MOREIRA: Primeiro fazer da Linha Verde um eixo de ligação metropolitana. Tem que ir da Fazenda Rio Grande até Colombo e Almirante Tamandaré. E aí, tem que perder o prurido de falar com o governo do Estado e dizer ''essas ligações além do município são responsabilidade do governo''. Então o governo do Estado, em parceria com a prefeitura, fazem o eixo de ligação metropolitna pra valer e não uma avenida mal planejada.

FOLHA: Tem alguma obra de estrutura viária que o senhor se propõe a fazer para acabar com o problema dos congestionamentos?
MOREIRA: Esta semana estamos lançando o plano viário de Curitiba, que prevê 21 trincheiras e viadutos. O custo total é de mais ou menos R$ 70 milhões a 80 milhões e teremos já garantida a parceria com o governo do Estado. Faz com que essas vias sejam vias de acesso rápido da cidade e sejam também anéis perimetrais. Qual é a dificuldade de Curitiba? Todo seu sistema viário passa pelas estruturais, tudo passa pelo centro. Então o que temos que fazer é a interligação dos bairros em anéis perimetrais. Tem que ter três anéis, um terciário, um secundário e um primário. Isso vai fazer o deslocamento entre bairros sem passar pelo centro. E esse deslocamento vai ser rápido porque vai ter trincheiras. Mas não adianta fazer qualquer coisa que não passe por melhoria no transporte coletivo. Um milhão de carros numa cidade, tem que se pensar. Em volta da canaleta só 15% dos moradores pegam ônibus, portanto é só doméstica e garagista. Esse pessoal todo tem carro, teria que ter um transporte público decente para ele deixar o carro em casa.

FOLHA: Qual seu projeto de metrô e qual é o cronograma de implantação?
MOREIRA: Estive com uma equipe de técnicos franceses que propõe um elevado em Curitiba. Eles fazem muito mais rápido a um custo muito menor. Seria um elevado em volta do anel perimetral e teria um acompanhamento nas estruturais. Em 30 minutos o metrô te coloca em qualquer ponto da cidade. O custo é de um bilhão de euros, bem mais barato do que o metrô. Prazo para implantar: um ano de projeto, três anos de implantação. Tecnologia existente, segura, limpa, silenciosa. É elétrico, e aí vem a grande parceria que posso fazer: Copel. A Copel, por ser grande produtora de energia do Estado seria uma das participantes da empresa de economia mista que poderia tocar isso aí. Ela como fornecedora de energia seria uma das grandes beneficiadas, e ela tem dinheiro para isso.

FOLHA: Pode fazer uma avaliação da atuação da Câmara Municipal?
MOREIRA: A atual Câmara é extensão do gabinete do prefeito com pequenas e poucas exceções.

FOLHA: Pode citar as exceções?
MOREIRA: Não vou citar, não acho justo. Se cometer algum esquecimento alguém vai ficar bravo comigo. Se eu incluir alguém que não merece essa alcunha vai ficar bravo também. São poucos, tudo o que o prefeito quer ele consegue.

FOLHA: O senhor acredita que tem como medir a qualidade do ensino municipal?
MOREIRA: Não medir nada é muito pior do que medir alguma coisa. O Ideb é um índice bastante interessante porque ele observa várias coisas na educação, como repetência, planejamento futuro. Educação é como projetar uma rua, tem que planejar o que vai fazer, executar e avaliar o que foi feito. Foi assim que a gente fez na universidade. As pessoas que criticavam o Moreira: ''Implantou cota, não sabe o que vai dar'', todos deram com os burros n'água. Por quê? Planejamos, implantamos e avaliamos. E mostramos que os cotistas são tão bons quanto os não-cotistas.

FOLHA: Qual a sua prioridade na área de saúde?
MOREIRA: Quem atende gente é médico. Não adianta construir só posto. Parede e sala não atende pessoas, tem que contratar médico e valorizá-lo. E valorizar médico não é só questão salarial. Tem que ter condição de trabalho. Claro que você pode criar métodos para aumentar a eficiência do posto. Quando eu era chefe de plantão a coisa funcionava e não ganhava nada a mais, ganhava reconhecimento, e me satisfazia com aquilo. Então criar a figura do chefe de plantão para quem tem liderança é uma coisa bonita. Ele resolve o problema, coordena a equipe.

FOLHA: O senhor tem alguma proposta para ampliar o orçamento da saúde, ou não seria necessário?
MOREIRA: A saúde gasta muito e gasta mal. A saúde gasta em Curitiba, eu não tenho o número exatamente, acho que é R$ 640 milhões por ano. Mais do que a educação.

FOLHA: Readequando o orçamento seria possível fazer mais com o mesmo valor?
MOREIRA: Sim. Ou começamos a investir em medicina preventiva, ou estamos mortos. Vamos mudar o nome para Secretaria Municipal da Doença e não da Saúde. Cada real que se investe em prevenção, economiza mil em tratamento. Se pegar só duas doenças comuns, hipertensão arterial - 20% da população tem - e diabete mellitus - 6% da população tem. É muita gente. Tem um gargalo na Sáude que chama exame especializado. Hoje em dia se você tiver que fazer uma cintilografia de tireóide pelo SUS (Sistema Único de Saúde) vai demorar um ano, no mínimo. Se for um câncer de tireóide, quando você for fazer o exame já tem metástase. Isso é um absurdo. Os exames especializados têm que ser considerados exames de emergência. Por que convênio tem e o SUS não tem? Quando você vai pedir uma tomografia por um convênio, que é considerado exame de alta complexidade, vai para uma pequena junta que define o que é emergência e o que não é. O SUS também pode ter isso. Além dessa pequena junta médica em cada especialidade tem que ter uma parceria definitiva com os HUs (Hospitais Universitários) e quem sabe algum hospital privado que queira trabalhar também com o SUS, e pagar adicional para fazer esse exame. Sabe quanto custa para resolver o problema do HC (Hospital de Clínicas) definitivamente? Um milhão por mês. Doze milhões por ano em R$ 640 milhões não é nada. Se você disser para o HC: ''Vou arrumar o teu déficit, mas em contrapartida você me dá tantos exames'' garanto que o Giovanni Loddo e o reitor de plantão lá vão aceitar.

FOLHA: O senhor tinha um quadro na TV Educativa que chamava-se 'Pense Bem'. Quando o senhor fez esse quadro já tinha em vista a eleição deste ano?
MOREIRA: O quadro foi muito positivo por várias razões. Primeiro porque pude falar para as pessoas que assistem a Educativa. Segundo porque falei de coisas que tem a ver com o dia-a-dia. E terceiro porque a gente em televisão aprende, como tudo na vida. Venho de uma carreira acadêmica, onde a linguagem é uma e a linguagem na TV é outra. Então é claro que isso tem me ajudado, mas não que pensasse que ia ser candidato, até porque foi há tanto tempo atrás e eu tive que vencer muitos desafios.

FOLHA: Não sendo eleito, o senhor pensa em trabalhar no governo do Estado, ou voltar para a clínica, voltar para a academia?
MOREIRA: Sou um dos poucos candidatos que têm vários planos. No caso de receber um convite do governador vou analisar com atenção. Se for o caso de voltar pra academia tenho convite até para ir para fora do Brasil. Se for o caso de voltar pra clínica, também tá bom. Tá tudo bom pra mim, não temos que ficar tristes com nada.

Reitor Moreira
Principais propostas
- Implantação do metrô elevado.
- Agendamento rápido de exames de alta complexidade.
- Implantação de anéis perimetrais para descongestionar a cidade.
- Parceria da Secretaria da Saúde com os Hospitais Universitários para realização de exames.

mockup