Eleição é 'mais do mesmo', dizem analistas
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Mais do mesmo ou, em outras palavras, a manutenção de grupos políticos que dominam Londrina já há pelo menos duas décadas. É essa a avaliação conjunta de dois analistas políticos ouvidos pela FOLHA diante do resultado nas urnas que vai garantir a Antonio Belinati (PP), a partir de janeiro de 2009, o quarto mandato desde a primeira eleição dele em 1972. Simultaneamente, os dois estudiosos são taxativos: a contar pela apresentação no horário eleitoral e nos debates em rádio e TV, o Belinati de agora ''pouco ou nada'' difere daquele de gestões passadas - inclusive o da última, marcada por episódios como a cassação de mandato pela Câmara de Vereadores e o escândalo Ama/Comurb, de supostas fraudes em licitações públicas, que rendeu ao ex-gestor mais de 70 ações cíveis e criminais.
Para o sociólogo Marco Rossi, da Faculdade Pitágoras, o futuro prefeito assume em janeiro em meio a um ''cenário de indeterminação''. ''Não sei até que ponto o Belinati e as forças antigas convenceram Londrina de que ele amadureceu. Nesse sentido, tem muito a provar para se esquivar de tudo que pesava contra ele'', avaliou. Para Rossi, outro fator que contribui para um contexto de indefinição é o número alto de eleitores que não aderiram à campanha do pepista - dos 283.672 que compareceram às urnas (no universo de 341.908 votantes), nada menos 15.121 votaram em branco ou anularam e outros 129.625 preferiram a candidatura de Luiz Carlos Hauly (PSDB). Ou seja: 144.746 foram contrários ao ex-prefeito que se elegeu com 138.926 votos.
''Ele tem que governar aos 51% dele e para uma maioria que não escolheu. Não sei como será essa articulação, mas terá de ter mais eficiência e transparência, sem obras que sirvam como cartões postais.'' Que análise faz da volta de um prefeito cassado há menos de uma década? ''O Brasil demonstrou o enterro de políticas feitas no passado, seja com o Carlismo, na Bahia, ou com o Malufismo, em São Paulo. O povo escolheu soberanamente em um cenário despolitizado dos dois lados, com uma campanha feita em cima de promessas'', comentou. ''Mas Londrina sempre surpreende'', concluiu.
A cientista política Luzia Herrmann, professora na Universidade Estadual de Londrina (UEL), admitiu: ''Errei. Imaginava que o adversário venceria e que seria menos acirrada a disputa, mas isso é uma resposta bem significativa, do ponto de vista simbólico, de que a cidade não deu uma resposta ao escândalo de anos atrás; e isso é muito importante''.
Luzia também avalia como continuísmo político a volta de Belinati à Prefeitura e as forças políticas que ele agrega. ''Pelos debates e pelos programas de TV e rádio, também dá essa sensação de continuidade óbvia. Parece que o candidato pouco se preocupou com isso.'' A estudiosa acredita, ainda assim, que de oito anos para cá o poder de fiscalização da sociedade sobre o homem público vem crescendo. ''É importante a sociedade fiscalizar - o Brasil inteiro está mudando, nesse sentido, e o próprio PT (de Nedson) perdeu mais de 50 mil votos da eleição de 2004 para a de 2008, no primeiro turno (como candidato André Vargas, quinto colocado)'', define.


