Eleição apertada mostra divisão no PR
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domingo, 29 de outubro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
''O Paraná sai dividido destas eleições.'' A avaliação é do cientista político Cézar Bueno sobre o resultado das urnas neste segundo turno, em que a diferença entre o governador reeleito Roberto Requião (PMDB) e o seu adversário Osmar Dias (PDT) foi de 10.479 votos - 0,2% dos votos válidos.
''Do ponto de vista eleitoral o Paraná foi dividido em dois estados, quase a metade fez opção pelo Osmar, pelo agronegócio, e na outra metade, diga-se na interiorana do Paraná, Requião venceu'', analisou. ''Acho que ele (Requião) pode ter tido uma política razoável, mas mostra que a dependência dos pequenos municípios em relação ao governo do Estado é muito maior do que nos médios e grandes. É a máquina do Estado funcionando em prol do governo que vai para reeleição.''
Para Bueno, as urnas mandaram um recado para Requião. ''Essa reeleição é um recado. Talvez essa seja a eleição mais disputada da história do Paraná e demonstra em relação ao governador que ele precisa repensar a forma de agir, principalmente em relação aos grandes municípios'', afirmou.
O cientista político ainda salientou que para garantir a governabilidade - após uma eleição tão apertada - Requião terá que ''seduzir'' a oposição. ''O governador não sai das urnas com cheque em branco. Requião vai ter que governar com propostas, seduzir os oponentes. Isso não significa um empecilho, mas demonstra que o governo terá que repartir o poder.''
Na avaliação de Bueno, o primeiro semestre de 2007 será marcado pelas concessões. ''Para o ano que vem tanto oposição quanto governo Requião precisam que os projetos sejam avaliados e aprovados. Acredito que o primeiro semestre de 2007, com as composições programáticas, será retomada a rotina da Assembléia. O governo terá que fazer mais concessões'', disse.
Se considerado os apoios firmados durante o processo eleitoral, Requião teria o apoio de 29 parlamentares: do PMDB (17), PV (1), PT (6) e PSDB (5). Osmar contaria com 25 deputados: do PDT (3), PP (4), PTB (2), PSB (2), PMN (1), PPS (3), PFL (6), PL (1), PSDB (2), e PRB (1).
''Eu avalio que não haverá dificuldades (de governabilidade) porque a questão não é aritmética, é qualitativa. Haverá uma recomposição na Assembléia porque alguns deputados que estavam com os adversários podem vir a estar conosco. As negociações entre o Executivo e o Legislativo são legítimas desde que sejam transparentes'', avaliou o deputado peemedebista eleito Luiz Eduardo Cheida. Ele admite que o resultado das urnas foi um recado para Requião. ''O recado da urnas é claro, óbvio. O governador deve se debruçar sobre ele, absorver as propostas do adversário que estiverem afinadas com a filosofia de governo e repensar algumas idéias que não foram bem aceitas.''
O deputado estadual Durval Amaral (PFL), que liderou a oposição no atual governo de Requião, acredita que o governador terá facilidade em compor a base de apoio na Assembléia Legislativa. ''O governo não vai ter dificuldade nenhuma de ter maioria e conseguir a governabilidade. Na eleição passada conseguiu com facilidade. Para a oposição complica se ficar restrita a poucos parlamentares. Acredito que agora a oposição vai ter mais representatividade'', apostou. No segundo turno, o PFL apoiou Osmar.


