Elegância do homem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Simone Mattos 
Ao contrário do que muitos pensam, vestir-se bem não é fundamental. Alguém ousa discordar do maior gênio de moda do Brasil? A opinião do jornalista, cineasta, produtor teatral, assessor de estilo e editor de moda - há 22 anos - da Revista Playboy, Fernando de Barros, é a palavra final quando o assunto é elegância.
Fotos de Kraw Penas
Fernando de Barros ensina os segredos da elegância enquanto produz um modelo curitibano, numa das lojas Makenji
Com 82 anos de idade, aparência de 50 e disposição de 30, o mestre da moda esteve em Curitiba na semana passada, a convite da loja Makenji, onde autografou o seu livro Elegância, que lançou sua terceira edição na cidade.
Temos dois exemplos nacionais que confirmam o que disse, explica o mestre da moda. O atual presidente da República é um homem extremamente elegante e nem sempre está bem vestido, enquanto o ex-presidente Collor tinha roupas muito boas e nenhuma elegância, afirma.
Enquanto dava a entrevista, Fernando de Barros fazia questão de mostrar o seu modelito do dia: uma camisa xadrez azul com gravata azul de bolinhas, terno azul marinho, calça cáqui e sapato marrom. Você acha que isto aqui está combinando?, perguntava ele. Eu acho que não, mas elegância é isto.
Vocês não podem ter medo de ousar, de misturar cores, basta manter o equilíbrio e o estilo pessoal, ensina. Segundo ele, o primeiro passo para ser elegante é se olhar diariamente no espelho e fazer uma avaliação do seu físico. Não adianta comprar as roupas que ficaram excelentes nos modelos do desfile e querer ficar igual, não fica.
Apesar de considerar o estilista italiano Giorgio Armani uma revolução no mundo da moda, Fernando conta que jamais teve uma peça assinada por ele. Elas foram feitas para homens altos e largos e eu sei que sou pequeno demais para usá-las.
Após cobrir centenas de desfiles de moda em Paris, Nova York e Milão e colecionar amizades internacionais no mundinho fashion, como a do estilista francês Pierre Cardin, Fernando afirma com convicção que a história masculina da moda é recente. O homem está começando a se descobrir.
Ele atribui o fato às dificuldades enfrentadas por eles no decorrer deste século, como as duas Guerras Mundiais, que não permitiram que a vaidade masculina crescesse na mesma proporção da feminina. É como se eles estivessem agora saindo da Idade Média e entrando na Renascença, brincou ele.


