‘‘Ao contrário do que muitos pensam, vestir-se bem não é fundamental’’. Alguém ousa discordar do maior gênio de moda do Brasil? A opinião do jornalista, cineasta, produtor teatral, assessor de estilo e editor de moda - há 22 anos - da Revista Playboy, Fernando de Barros, é a palavra final quando o assunto é elegância.




Fotos de Kraw Penas






Fernando de Barros ensina os segredos da elegância enquanto produz um modelo curitibano, numa das lojas Makenji




Com 82 anos de idade, aparência de 50 e disposição de 30, o mestre da moda esteve em Curitiba na semana passada, a convite da loja Makenji, onde autografou o seu livro Elegância, que lançou sua terceira edição na cidade.
‘‘Temos dois exemplos nacionais que confirmam o que disse’’, explica o mestre da moda. ‘‘O atual presidente da República é um homem extremamente elegante e nem sempre está bem vestido, enquanto o ex-presidente Collor tinha roupas muito boas e nenhuma elegância’’, afirma.
Enquanto dava a entrevista, Fernando de Barros fazia questão de mostrar o seu modelito do dia: uma camisa xadrez azul com gravata azul de bolinhas, terno azul marinho, calça cáqui e sapato marrom. ‘‘Você acha que isto aqui está combinando?’’, perguntava ele. ‘‘Eu acho que não, mas elegância é isto’’.
‘‘Vocês não podem ter medo de ousar, de misturar cores, basta manter o equilíbrio e o estilo pessoal’’, ensina. Segundo ele, o primeiro passo para ser elegante é se olhar diariamente no espelho e fazer uma avaliação do seu físico. ‘‘Não adianta comprar as roupas que ficaram excelentes nos modelos do desfile e querer ficar igual, não fica’’.
Apesar de considerar o estilista italiano Giorgio Armani uma revolução no mundo da moda, Fernando conta que jamais teve uma peça assinada por ele. ‘‘Elas foram feitas para homens altos e largos e eu sei que sou pequeno demais para usá-las’’.
Após cobrir centenas de desfiles de moda em Paris, Nova York e Milão e colecionar amizades internacionais no mundinho fashion, como a do estilista francês Pierre Cardin, Fernando afirma com convicção que a história masculina da moda é recente. ‘‘O homem está começando a se descobrir’’.
Ele atribui o fato às dificuldades enfrentadas por eles no decorrer deste século, como as duas Guerras Mundiais, que não permitiram que a vaidade masculina crescesse na mesma proporção da feminina. ‘‘É como se eles estivessem agora saindo da Idade Média e entrando na Renascença’’, brincou ele.

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