Ele se preocupou com o som agradável
Curitiba O professor Ivan Colling afirma que há registros históricos de aproximadamente 600 idiomas planejados. Destes, o esperanto é o mais difundido. Muitos estudiosos acreditam que o esperanto vingou porque (Lázaro) Zamenhof não quis criar apenas um idioma. Ele se preocupou com que a língua tivesse um som agradável, adequado à poesia, ao canto. Enfim, uma língua realmente humana, diz o professor.
Colling aponta que a cultura do esperanto cresce ano a ano. Hoje, existem milhares de mídias com conteúdos expressos no idioma: DVDs, revistas, livros, sites, tanto em traduções, quanto em produções originais na língua.
Entretanto, a proposta do esperanto de ser uma língua internacional, uma espécie de denominador comum entre os povos, é vista com certo ceticismo por muitas pessoas, que argumentam que esse papel é desempenhado pelo inglês. Teria o esperanto fracassado?
Colling acredita que não. Ele defende que o esperanto é um idioma novo, sem pretensões hegemônicas e que não visa substituir outros. Como idioma, o esperanto é bastante jovem: 122 anos, para uma língua, é pouco tempo. Na história da humanidade, os idiomas que se impuseram o fizeram por meio do poder, seja econômico, político ou militar, ou os três juntos. Hoje, o inglês é hegemônico. Antes, foi o francês. Antigamente, o latim. Para quem vive a época, essa imposição parece uma solução perene. Mas quem garante que o inglês terá sempre a importância que tem hoje? É só pensar no latim: já foi o principal idioma, hoje é uma língua morta, diz o professor.
Se um dia o esperanto for adotado pela humanidade como a principal língua internacional, será por consenso, não por imposição, complementa Colling.
Por não pertencer a nenhum país ou comunidade específica, o esperanto é divulgado na troca de informações, no boca a boca. As pessoas que trabalham com isso são voluntárias. Não temos um governo que nos financie, diz Colling. Ele próprio não vive do esperanto: é professor de Engenharia Elétrica da UFPR e voluntário no Celin. Já Ariadne Figueiró é funcionária pública. (F.G.)





