São Paulo - Um apostador descobre que ganhou na Loteria Esportiva. Empolgadíssimo, se dá ao luxo de fretar um avião só para buscar o prêmio. Ao chegar, tem uma surpresa desagradável: a recompensa não ultrapassa um salário mínimo porque será dividida com outros ganhadores. Há 35, 40 anos, histórias como essa ocorriam com mais frequência. Diminuíram graças à criatividade do matemático Oswald de Souza, 62 anos, expert em contas complicadas, probabilidades e números aparentemente inexplicáveis.
Pioneiro em descobrir (por meio da ciência) o número provável de ganhadores da Loto e o valor dos prêmios, Souza também introduziu o cálculo nos jogos esportivos, na distante Copa do Mundo de 1974. Desde então, a frase ''Segundo o matemático Oswald de Souza...'' tornou-se um dos jargões televisivos mais populares das últimas décadas.
Todo domingo, o matemático batia ponto no Fantástico para calcular a Loteria Esportiva. A repercussão era enorme. ''Com meu cálculo, divulgado após o encerramento dos jogos, o apostador já ficava sabendo o número provável de ganhadores e o valor do prêmio'', gaba-se Souza, que assim fez fama como ''matemático especializado em jogos e loterias''.
Morador do Rio de Janeiro na época (hoje ele vive em Santa Catarina), criou uma empresa de consultoria na área e nunca mais deixou os números. Em 1970, quando começou a enveredar pelos cálculos esportivos, Souza não pretendia aparecer na TV. Frequentador assíduo do clube do Fluminense, seu time de coração, costumava adivinhar quantos ganhadores seriam sorteados na loteria por brincadeira, mas com base matemática, e foi se tornando popular. Bastou a história cair nos ouvidos de um produtor de televisão para ganhar um espaço semanal na telinha.
A vida de celebridade durou muito tempo: na Globo, seu cálculo foi parar em um quadro do programa ''Fantástico'' durante 19 anos e era divulgado com destaque em emissoras de rádio e jornais. ''Desde que comecei a aparecer na TV e no rádio, passei a ser muito procurado.''
O assédio da imprensa continua, mas o dia-a-dia de Souza é bem mais tranquilo. Depois de passar 60 anos no Rio de Janeiro - 42 na casa dos pais -, mudou-se para Santa Catarina com mulher e filhos em um esquema que classifica de ''semi-aposentadoria''. Suas prioridades são a família e a hidroterapia. A consultoria que dá à Rede Globo é administrada à distância.
Mas será que o homem que mais acerta dados de jogos como a Mega Sena faz uma fezinha? Sim. Só quando o jogo acumula - e em quantias pequenas. E não é por falta de habilidade em matemática, um dom que o tempo só apurou. Quando quer calcular a chance de um time ser campeão, de cabeça, basta saber o placar dos jogos. E faz isso ainda com prazer.

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