Desde 1966, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) treinou mais de 400 militares estrangeiros de nações consideradas amigas pela diplomacia brasileira. ''É uma política de dissuação. Eles podem participar para mostrarmos que o brasileiro sabe combater na selva'', explica o major Alexandre Petrini Leonardo.
Norte-americanos, franceses e sul-americanos são ''fregueses'' do Cigs. O Curso de Operações na Selva (COS) acompanhado pela FOLHA contou com a presença de cinco ''gringos'', todos da América do Sul.
Entre eles, Oscar Humberto Silva Monroy, 26 anos, um tenente do exército colombiano, enviado ao Brasil como prêmio por ter se destacado no curso da ''Escuela de Lanceros'', que forma a elite de combatentes do país vizinho.
Entre as experiências vividas por Monroy dentro da mata amazônica que fica em território colombiano, combates com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
''A primeira vez que enfrentamos as Farc, em 2004, foi um combate muito duro. Estávamos em deslocamento pela selva e encontramos os guerrilheiros ocasionalmente. Perdemos um tenente, que levou um tiro na cabeça. Em 2005, perdemos outro companheiro em combate. Recentemente, em 2007, participei de um outro confronto. Também tiveram baixas do outro lado, mas eles sempre procuram fugir. Perder companheiros em batalhas causa uma profunda dor no coração'', conta o tenente. Segundo ele, não há notícias da presença das Farc próximas à fronteira com o Brasil.
O curso do Cigs, o colombiano classifica como muito bom. ''Para mim está sendo ótimo, pois atuo em região de Amazônia em meu país.''
O genro do comandante
O fato de ser estrangeiro não garante nenhum privilégio. Eles são tratados com o mesmo rigor e sofrem a mesma pressão. Mas nada disso incomoda o tenente-de-corveta da Marinha do Paraguai Davi Gimenez, 26 anos. Genro do comandante do Exército de seu país, o general Juan Bautista Gomez Esquivel, ele se aproveitou da desistência de um amigo que seria enviado para o curso de operações na selva e pediu uma chance para o sogro. Foi atendido. ''Não entendo o clima daqui. Chove e logo em seguida faz sol. Por isso, estou gripado. É o que mais me atrapalha'', relata.
Sobre a exigência física do treinamento, ele reconhece que não é nada fácil, mas acha que deve ser assim mesmo. ''Para ser bom, o curso tem que ser pesado. Estou orgulhoso de participar desse aqui. O Exército brasileiro se prepara muito bem'', finaliza. (W.S.)

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