Eldorado que não existe mais
Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
Antes das mudanças a que assistimos atualmente, a economia do Paraná havia passado por dois momentos que produziram grandes transformações em sua estrutura, em um período relativamente curto de tempo, entre os anos 30 e o início dos 80: a passagem da economia extrativista da erva-mate e da madeira para a economia do café e o processo de industrialização ocorrido nos anos 70.
A erva-mate já era forte desde a primeira metade do século passado, enquanto a produção e exportação de madeira só tiveram papel significativo depois da Primeira Guerra Mundial. Portanto, nesse período, a base da economia do Paraná era primária e exportadora para outras economias também primárias, e não para os países industrializados. A imigração européia fazia dobrar a população do Estado a cada 20 anos, chegando a 1,2 milhão em 1940.
A depressão mundial dos anos 30, que se seguiu ao crack da Bolsa de Nova York, em 1929, marcou também o começo da queda da exportação de erva-mate. Mas, ao mesmo tempo, as exportações de madeira cresceram de forma significativa. Nesse quadro começou a expansão do café. A cultura havia sido iniciada no chamado Norte Velho, mas cresceu mesmo em direção ao Oeste e, depois, até as margens do Rio Paraná.
A área plantada com café cresceu de 130 mil hectares em 1945 para 567 mil hectares em 1955. Três anos depois já era de 1 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, a produção aumentou de 1,1 milhão de sacas, na safra 1946/1947, para nada menos que 20,7 milhões na safra 1959/1960. Nessa safra, o Paraná ultrapassou São Paulo como maior produtor brasileiro.
Assim, por um longo tempo, o café foi o principal gerador de riquezas do Estado. E contribuiu, em muito, para fixar o trabalhador no meio rural e tornar economicamente viáveis as pequenas e médias propriedades, justamente numa época de poucas alternativas agrícolas. A partir de 1975, depois que mais uma geada dizimou os cafezais, a agricultura do Paraná entrou em nova fase. Aparentemente não havia saída e a cultura do café acabou substituída pela da soja e do trigo.
A segunda transformação - O processo de desenvolvimento econômico, que definiu os anos 70, havia começado já no início da década de 60, a partir de discussões iniciadas, por sua vez, na metade dos anos 50, com a criação da Comissão de Coordenação do Plano de Desenvolvimento Econômico do Estado (Pladep). Os primeiros indícios de mudança foram percebidos nos primeiros anos da década de 70. Mas só apareceram claramente no final da década e depois da divulgação do Censo de 1980.
Já se tratava de um Paraná mais urbano que rural, mais industrial que agrícola e exportador de migrantes para novas fronteiras agrícolas. Deixara de ser foco de atração de mão-deobra. O Paraná já não era mais o Eldorado para milhões de imigrantes e migrantes.Do extrativismo da erva-mate e da madeira até os dias de hoje, o Estado viveu grandes transformações
Arquivo FolhaCom a erradicação das lavouras de café, castigado pelas baixas temperaturas, o campo passou a ser ocupado com outras culturas, como a do trigo, resistente ao inverno





