Elas estão sobrando
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Estão sobrando mulheres no Brasil. No Paraná, existem 95,7 homens para cada cem mulheres. Somente em Curitiba e Região Metropolitana (RMC), existem 80 mil mulheres a mais do que homens. Só que alguns fatores ao longo da vida contribuem para inverter essa proporção, já que, no nascimento, bebês do sexo masculino são maioria. Eles são, pelo menos, 5% a mais do que elas nas maternidades.
Até os 14 anos, de acordo com o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a proporção de homens para mulheres é de 103,03. No entanto, segundo o diretor científico da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná, Rosires Pereira de Andrade, os homens são mais frágeis e, por consequência, mais suscetíveis a doenças. ''Eles acabam morrendo mais no parto ou na infância'', conta.
O segundo momento da vida também é fundamental para essa inversão. É na adolescência e juventude que os homens acabam sofrendo uma segunda ''baixa'', por serem as maiores vítimas da violência. De acordo com o titular da Delegacia de Homicídio (DH), Jaime da Luz, isso ocorre pelos jovens do sexo masculino frequentarem mais locais expostos a drogas, bebidas e gangues. ''Eles são maioria em campos de futebol, boates, bares, entre outros. E esses são os ambientes onde primariamente nasce a violência'', explica.
Um levantamento da DH aponta que, nos últimos doze meses, o número de homicídios de mulheres não ultrapassou 12% do total. A média neste período é de um assassinato de mulher para nove de homens. Outro aspecto importante é a questão da violência no trânsito. Eles também são as maiores vítimas fatais dos acidentes nas ruas e estradas.
Mas é na terceira etapa da vida que a diferença acentua ainda mais. A expectativa de vida dos homens é de 71 anos, seis a menos do que elas (77,4 anos). De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - seção Paraná, Rodolfo Augusto Alves Pedrão, as mulheres têm características físicas e sociais que contribuem para essa ''vantagem''.
''Existem várias teorias do porquê das mulheres viverem mais. Duas delas envolvem a questão da menstruação, que fornece uma proteção de doenças cardiovasculares e de arterioescleroses. A terceira hipótese é com relação ao estilo de vida das mulheres que, em geral, bebem e fumam menos, se alimentam melhor e cuidam mais da saúde'', afirma. Pedrão conta que, em seu consultório, a proporção de idosas que buscam orientação médica é muito maior do que a de homens, mesmo levando em conta a diferença entre as duas populações.
Esse fênomeno é chamado feminização da velhice. O geriatra acredita que esse quadro pode se alterar dentro de 30/40 anos, com as mulheres mais ativas no mercado de trabalho e passando pelos mesmos estresses que os homens, além de terem passado a fumar e beber mais nos últimos anos.


