Eiko aparece ao vivo na TV. E reata namoro
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Londrina 
No fim deu tudo certo, como se fosse um filme.
A bancária Eiko Aparecida Yamagishi atuava como secretária na gerência do Banestado quando viveu, no dia 10 de dezembro de 87, o assalto que, segundo ela, mais parecia um pesadelo demorado ou um enredo de cinema policial. Ela foi refém dentro da agência e uma das pessoas escolhidas para ir junto com os ladrões na fuga de ônibus, numa jornada sem rumo que só foi acabar na manhã do dia 11, com uma chuva de tiros da polícia paulista.
O medo era grande, mas Eiko não chorou nenhuma vez. Só tive uma crise de choro três dias depois. Mas, ao contrário de muitas colegas de trabalho, Eiko não ficou com traumas ou sequelas psicológicas do episódio. Tirei de letra, posso falar no assunto tranquilamente. Não é o caso de duas colegas de trabalho de Eiko, que se negaram a fazer qualquer tipo de declaração à Folha.
Eiko também tem suas críticas - mas à polícia. Não foi nada bom ser submetida a investigação depois do assalto. Durante a fuga, o assaltante Moreno deu a ela um malote de dinheiro, na sua legendária compulsão de Robin Hood. Eram mais ou menos R$ 50 mil de hoje, calcula a bancária. Ela entregou todo o dinheiro ao banco, com testemunhas, mas mesmo assim teve que depor na delegacia, quando desapareceram 4 dos 30 milhões de cruzados novos entregues aos assaltantes. Tudo porque devolveu o dinheiro diretamente ao banco em vez de entregá-lo na delegacia. Inocente - como a polícia admitiu - ela reclama da humilhação de ser obrigada a depor. Isso foi pior que o assalto! Imagine, parecia que eu tinha virado bandida!
Eiko foi protagonista de uma das cenas mais absurdas de todo o assalto. Já dentro do ônibus da fuga, um dos assaltantes sentou ao seu lado. Ele estava com fome e resolveu comer um salgadinho (havia uma provisão de alimentos). Segura aqui que eu vou comer, disse o assaltante, colocando a arma no colo de Eiko. Ela ficou petrificada.
Algo de bom, no entanto, resultou do assalto longa-metragem. A bancária havia terminado o namoro com Marcelo, que morava em Cuiabá (MT). Naquele dia, Marcelo Oliveira ligou a TV e viu uma tomada do assalto, ao vivo de Londrina. E quem apareceu na tela? A refém Eiko, sob a mira de metralhadoras. No dia seguinte, com Eiko de volta em segurança a Londrina, Marcelo ligou para ela. Pouco depois, voltaram a namorar. Eu acho que ele me viu numa situação de perigo, correndo risco de morrer, e resolveu que não queria me perder de jeito nenhum. Eiko e Marcelo se casaram menos de um ano depois, em outubro de 1988.
Eiko Aparecida Yamagishi Oliveira mora hoje em Cascavel e continua trabalhando no Banestado.


