Os principais cenários criados por pesquisadores sobre a influência do processo de aquecimento global no Paraná indicam graves riscos para a produção agrícola – uma das mais importantes atividades econômicas do estado. De acordo com a pesquisadora de Ecofisiologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Dalziza de Oliveira, os perigos decorrem das mudanças previstas para o padrão das chuvas, causadas pelo aumento da temperatura atmosférica. Num futuro breve, longos períodos de estiagem devem se intercalar com enchentes, tempestades e geadas.
  ‘‘Quando se alteram as temperaturas, há uma mudança na ocorrência das chuvas. Um dos indicativos mais fortes que temos é que eventos climáticos extremos devem ocorrer com maior probabilidade. Nossa preocupação é como manter a agricultura com menos chuvas, já que nossas principais culturas, como soja e milho, exigem muita água’’, alertou Dalziza de Oliveira. Dados meteorológicos do Iapar mostram que até a década de 60, a região norte do Paraná tinha 2 anos de seca a cada década. Nos anos 90, essa proporção subiu para 3 anos de seca por década.
  Os riscos gerados pelo aquecimento global levaram o governo estadual a criar, em 2005, o Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas Globais – que reúne o Iapar, UEL, UFPR, entidades de classe e órgãos públicos. A coordenadora do Fórum, Manyu Chang, disse que, além de estimular a discussão sobre formas de reduzir as emissões de gases poluentes, um dos focos principais do trabalho é descobrir maneiras de adaptar a vida humana às novas condições ambientais.
  ‘‘O Brasil é reconhecidamente um dos países que tem mais consciência nesta área, mas precisamos nos preparar para os cenários mais desfavoráveis. Estamos fazendo um mapeamento da vulnerabilidade de extremos climáticos para identificar, por exemplo, onde teremos mais problemas com populações carentes em função das enchentes, e os pontos em que o aumento da temperatura pode elevar a ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares’’, contou Chang.
  A identificação das fragilidades do setor agropecuário também está na linha de frente dos estudos, que vem sendo realizados pelos centros de pesquisa integrantes do Fórum. ‘‘A intenção é prever quais áreas vão sofrer mais com a seca e descobrir variedades mais resistentes à falta de água’’.
  Outros efeitos potenciais do aquecimento global sobre o Paraná são a ocorrência de inundações e ressacas no litoral, e de ciclones. ‘‘O Brasil jamais tinha registrado um ciclone e, em 2005, já tivemos o primeiro no Rio Grande do Sul’’, explicou a coordenadora do Fórum.‘‘O que a gente quer com essa discussão toda é que saia uma política paranaense de mudanças climáticas – tanto para emitir menos, quanto para nos adptarmos à nova realidade’’.

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