Num país em que o poder público está longe de atender satisfatoriamente demandas mínimas, o voluntariado adquire grande importância. Em Curitiba, centenas de pessoas se dedicam a causas sociais, muitas delas no campo da educação. Há quem se disponha a ajudar, sem recompensa financeira, pessoas que sonham se aprofundar nos estudos e que sofrem com a falta de recursos.
Aos fins de semana, Emanuel Cochinski dá aulas de Física em um cursinho pré-vestibular, mantido pela organização não governamental Em Ação em convênio com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), direcionado para estudantes carentes. Como as aulas são gratuitas (os únicos custos para os alunos são a taxa de inscrição e as apostilas), os professores do cursinho não são remunerados.
''É a primeira vez que faço trabalho voluntário. Participo devido à idéia de tentar mudar a sociedade, o mundo'', diz Cochinski, que durante a semana ''ganha o pão'' também dando aulas. ''Sempre digo que aqui, no Cursinho Em Ação, eu canso o corpo mas descanso a alma'', sorri o professor.
Marcelo Guilherme, um dos fundadores do cursinho, também dá aulas como voluntário. Ele relata que hoje 47 professores voluntários dão aulas para aproximadamente 240 alunos no curso. ''Os professores são amigos e/ou ex-alunos do projeto que conseguiram entrar na universidade e voltam para dar aulas como voluntários. Nós sempre tentamos conscientizar os alunos sobre a importância do voluntariado. Doar-se dois dias por semana para a sociedade não vai deixar ninguém pobre'', explica Guilherme.
O professor aponta que a família influenciou a iniciativa de criar um cursinho para estudantes que não têm condições de pagar pré-vestibulares em outros locais. ''Em Ponta Grossa, meu avô fazia cestas de alimentos e distribuía. Fui criado nesse 'meio' do voluntariado. Minha infância foi muito dura. Quem vem de família pobre e consegue prosperar olha para esse lado, de ajudar os outros. Meu avô teve dinheiro por um tempo, mas houve uma época de vacas magras'', afirma o professor, que dá aulas de Química no cursinho Em Ação.
Cochinski conta que sua família não sofreu com dificuldades financeiras. ''Sou de família de classe média e sempre tive condições de pagar escola particular'', explica Cochinski. ''Sempre tive vontade de ajudar. O voluntariado deve partir da pessoa. A partir do momento em que você se sente capaz de ajudar, deve procurar uma instituição. Não é uma coisa que deve ser obrigação. O importante é que a pessoa se sinta tocada.''
Entre os alunos do Em Ação, o trabalho dos professores voluntários desperta admiração e a vontade de retribuir. A estudante Gisele Patrícia Stabach pretende estudar Geografia. Ela diz que não teria condições de pagar um cursinho particular. ''A ação dos professores influencia os alunos a fazer trabalho voluntário. Eu penso em estudar e ser professora aqui no cursinho'', afirma a aluna.

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