Educação sexual nas escolas, uma disciplina para a vida
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Falar sobre sexo com adolescentes pode ser tabu para muitos pais. A falta de diálogo, no entanto, faz com que boa parte dos jovens inicie a vida sexual sem a orientação necessária. O resultado pode ser uma gravidez precoce ou o risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis. A escola faz sua parte, orientando os alunos dentro do currículo, mas é necessário um trabalho mais aprofundado para que os jovens se sintam preparados para uma relação segura.
A distribuição de preservativos em escolas públicas coloca em alerta professores, pais e alunos em Londrina, que, hoje, recebem o conteúdo de educação sexual dentro das disciplinas de Biologia e Ciências, a partir da 4 ou 5 sériesö. Pouquíssimas escolas abordam o assunto de forma profunda, com aulas específicas e direcionadas.
Um bom exemplo é a Escola Estadual Barão do Rio Branco, em Londrina, onde a professora de Biologia, Cenira N. de Andrade, trabalha o tema de forma diferenciada com alunos da 5 a 8 série. Ela complementa o conteúdo curricular com palestras, vídeos e discussões em aulas extras. O trabalho serve como base para que os alunos aprendam sobre sexualidade e, principalmente, conheçam os riscos.
''Todos aprendem a necessidade de usar camisinha e que esta é a única forma de se prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis'', afirma.
O trabalho com alunos começa já na 5 série, quando o tema sexualidade vem à tona. Primeiro, é ressaltada a importância da vida desde a concepção. Em seguida, a professora vai tirando dúvidas sobre gravidez precoce, masturbação, ejaculação e orgasmo. ''A participação dos alunos é grande, até mesmo porque muitos não conversam em casa com os pais'', comenta a professora.
Orientação - Um grupo de adolescentes, na faixa dos 13 anos, conversou com a reportagem e se mostrou consciente da necessidade de se prevenir. Estudantes da 8 série da escola Barão do Rio Branco, recebem orientação da professora Cenira desde a 5 série.
Todos consideram importante as aulas de educação sexual. ''Muitas vezes, a gente não conversa em casa com os pais, por vergonha ou porque eles não querem falar'', afirma Felipe E. Morya. ''Na escola é mais fácil perguntar'', diz Gabriel Balduíno.
Os amigos concordam com a instalação da máquina de preservativos. ''Mas, temos de ser orientados. O jovem precisa estar amadurecido para manter relações'', afirma Daniele C. Leite.
Para Manuela F. Valente, que tem um diálogo aberto em casa, as aulas ajudam os que não têm a mesma liberdade. ''Nem todos os pais têm um diálogo aberto com os filhos.''
Em relação à máquina, Manuela afirma que não se sentiria constrangida. ''Se estiver amadurecida, não vejo problema em pegar a camisinha''. Já os garotos acreditam que poderão ser alvo de manifestação de outros colegas, mas consideram importante ter o preservativo às mãos. Para Daniele, mesmo que o jovem ainda não tenha uma vida sexual ativa, é importante ter acesso à camisinha. ''Se acontecer, ele vai estar protegido''


