Educação digital
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Luana Borges <br> Especial para a FOLHA 
Nem sempre ficar horas na frente de um computador, navegando na internet, significa perda de tempo para quem tem muito o que estudar. Utilizada com sabedoria, a web pode ser uma grande aliada ao aprendizado. Hoje em dia é comum alunos recorrerem a videoaulas para complementar o que conheceram em sala por meio de um professor. Ou até mesmo para tirar dúvidas que restaram de alguma matéria antes do período de provas. "Os alunos acabam recorrendo a essa ferramenta durante o estudo individual por estar na mão deles e por fornecer uma resposta rápida a alguma questão", explica João Marcos Machuca, diretor pedagógico da Escola Alfa.

No Youtube, a oferta de canais especializados no assunto é incontável. A maioria disponibiliza conteúdos de forma gratuita. Entre os mais acessados estão o Me Salva, com vídeos sobre todas as disciplinas, além de resolução de exercícios e simulados; o Descomplica, que foca em atualidades; o Calcule Mais - Professor Vandeir, voltado para quem tem dificuldades com a Matemática; e Oficina do Estudante, que também contempla todas as áreas e é dedicado a quem está prestando vestibular. "É um recurso a mais que vai complementar e confirmar o conhecimento que o aluno adquiriu", avalia Cássia Gimenes Barcaro, coordenadora do pré-vestibular e do ensino médio do Colégio Maxi.
Mas é preciso estar atento à qualidade das videoaulas. Como a internet facilita o acesso a quase todo tipo de conteúdo, os estudantes estão sujeitos a se deparar com informações incorretas, que podem acabar prejudicando os estudos em vez de servir como ferramenta auxiliar. "Mas quando o aluno tem uma boa aula dentro da escola, ele mesmo identifica uma informação errada ao assistir a uma videoaula e vai em busca de outra referência", pontua o diretor da Escola Alfa.
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Professor de literatura e história da arte, Rogério Mendonça, mais conhecido como Biti, criou o próprio canal no Youtube há cerca de seis meses. Depois de 22 anos dando aulas, ele sentiu a necessidade de aderir à tendência digital. Diante de uma realidade em que os jovens têm pressa para terminar o momento de estudo, muitos canais do Youtube oferecem aulas curtas. Mas Biti prefere investir em conteúdos mais longos e detalhados. "Hoje vivemos na superfície da informação, tudo vira 'meme'. Vejo muita gente substituindo atenção na aula para ver coisas no Youtube. Esse é o lado ruim", critica Biti, que também é professor no curso Prime Pré-Vestibular.
Uma maneira que a Escola Alfa encontrou de aproveitar o interesse dos alunos por vídeos no Youtube foi estimulando a criação de um canal próprio dos estudantes no site. O projeto ainda está em fase inicial, mas a ideia é que os jovens possam falar sobre interesses de seu cotidiano, como jogos, música, filmes e séries, além de discutir questões das disciplinas que aprendem em sala de aula. "Vemos que quando o conteúdo é produzido por eles mesmos, a aceitação entre os alunos é maior porque a linguagem é mais próxima", observa o diretor.

No caso de professores que trabalham em escolas ou cursos de pré-vestibular e também gravam videoaulas, a ferramenta digital funciona ainda como apoio ao que foi dito pessoalmente. "Vira e mexe, termino uma aula e aviso ao pessoal para correr no canal que tem análise de algum poema ou livro", conta Biti. Definitivamente, o aprendizado parece ter ultrapassado os limites físicos das escolas. Mas as videoaulas não podem transpor a importância do professor em sala, na opinião de alguns especialistas. "De maneira alguma as videoaulas substituem a presença do professor. É ele quem vai resolver aquela dúvida, fazer o acompanhamento e analisar o desempenho do aluno", pontua a coordenadora do Colégio Maxi.


