EDUCAÇÃO - Professor ensina como aprender
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sábado, 15 de maio de 2004
Luka Morais<br>Reportagem Local 
A maioria das escolas considera que a lição de casa é atividade que complementa a aula. O assessor de técnicas de estudo e professor de física Pierluigi Piazzi, que esteve em Londrina dando palestras, há 15 dias, rompe esse paradigma. ''A aula é a atividade que complementa a lição de casa. Ou seja, a atividade importante do aluno é a lição de casa. É nesse momento que ele aprende'', ele afirma.
Autor de livros de informática e de física, professor de Inteligência Artificial da Universidade Santa Cecília (Unisanta) de Santos (SP), e de física do Anglo Vestibulares, este último desde 1969, Piazzi recorre a um provérbio chinês para mostrar a maneira como ocorre o aprendizado. ''Eu ouço, eu esqueço; eu vejo, eu entendo; eu faço, eu aprendo''. Portanto, conclui o professor, durante a aula o aluno ouve, vê e entende. ''A função da aula é fazer o aluno entender. Em casa, ao fazer a lição, é que ele aprende'', resume.
Piazzi acredita que a aprendizagem só ocorre num fenômeno autodidático. Desta forma, raciocina ele, o professor não está na escola para fazer o aluno aprender, mas para fazer o aluno entender o conteúdo diário. Conforme o professor, que já desenvolveu estudos sobre o funcionamento do cérebro e pesquisas sobre os efeitos do sono, se o aluno não estudar as matérias dadas, no mesmo dia, à noite, durante o sono, o cérebro apaga tudo.
Durante as palestras que fez para alunos, pais e professores do Colégio Universitário, Pierluigi Piazzi foi enfático: ''O aluno que estuda de manhã, chega em casa e dorme está cometendo um erro terrível''. Segundo o estudioso, durante o sonho as pessoas apagam o ''rascunho''. Piazzi explica que o sono tem várias fases: ''Quando o sujeito cochila, está numa fase em que seu rascunho ainda não está sendo apagado; dependendo a pessoa, se passar meia hora, quarenta minutos, entra numa fase em que começa a esvaziar a memória de rascunho, começa a resetar o cérebro. E se o cara não estudou antes de dormir, o conteúdo da aula vai pro lixo''.
Conforme Piazzi, os elementos que mais pesam no desenvolvimento intelectual de um jovem são: família, lição de casa e leitura. A família, segundo ele, quando cobra a dedicação ao estudo da forma adequada. ''Pai e mãe que cobram nota estão fazendo o termômetro ser mais importante que a temperatura. Eles têm que cobrar o aprendizado. Ou seja, tem pai e mãe achando que o filho está na escola para passar de ano e não é para isso. Está na escola para aprender e, como consequência, passar de ano''.
Esse caminho, diz Piazzi, precisa ser revisto por praticamente todas as escolas. Mas isso não é um problema do ensino fundamental e médio, ele observa. ''De cada 10 médicos que se formam, quatro não têm condições de exercer medicina porque não estudaram para aprender medicina, mas para passar nas provas'', ele exemplifica. Essa ''radiografia'', conforme o professor, pode ser obtida junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo.
Mas o problema maior, analisa Piazzi, é que os futuros professores desconhecem totalmente o funcionamento do cérebro humano. ''Ficam com teorias bonitas quando o essencial é perceber que a função da escola é tornar o aluno um autodidata e, para isso, precisam saber como isso acontece''.
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E o terceiro ponto fundamental para a aprendizagem, ele enumera, é a ''musculação'' para a cabeça. Nesse sentido, o exercício fundamental e mais estimulante é a leitura: ''Quanto mais você lê, independentemente do que está lendo, se torna cada vez mais inteligente''.
O professor explica que a metodologia utilizada pelo Colégio Anglo, que obtém alto índice de aprovação de alunos em instituições de ensino superior, é diferenciada porque resultou da descoberta empírica feita há 60 anos. Ele lembra que a escola foi fundada por engenheiros e não por pedagogos. ''Engenheiro é alguém que foi treinado para resolver problemas e não para ficar elucubrando teorias. Qual o problema que eles tinham? A primeira aula do cursinho ocorre em março e o vestibular, em dezembro. A matéria dada em março tem que ser gravada no mesmo dia'', diz ele. Daí veio a solução, que resultou no lema de cinco palavras que é propagado pelo professor como a fórmula para o aprendizado: ''Aula dada, aula estudada. Hoje.''


