EDITORIAL
Responsabilidade de todos
A Folha tem abordado em suas páginas do suplemento regional uma série de reportagens sobre os projetos de preservação do meio ambiente, nos 32 municípios que compõem a região de Entre-Rios. Isto porque a questão ambiental é, cada vez mais, uma preocupação dos diversos segmentos da sociedade, e não apenas do poder público. O problema é que muitas vezes, por erros ou por omissão, todos acabam perdendo.
Na segunda quinzena de novembro, o Parque Nacional de Ilha Grande, banhado pelo Rio Paraná, ardeu novamente em chamas. O incêndio, que atingiu grandes proporções, destruiu incontáveis hectares de vegetação que, certamente, a natureza vai levar anos para recuperar. Foi, sem dúvida, uma perda enorme que, infelizmente, vem se repetindo ano após ano.
A Folha, pelo compromisso que assumiu publicamente em elencar fatos de grande importância para a região, não pode deixar de questionar as ações que objetivam a efetiva preservação da Ilha Grande, um verdadeiro santuário ecológico em constante perigo. É necessário reconhecer o esforço de algumas lideranças regionais, sobretudo dos municípios que integram o Consórcio para Preservação do Rio Paraná (Coripa) e Áreas de Influência, bem como das pessoas que fazem parte das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) constituídas exatamente com a finalidade de fiscalizar e impedir a destruição daquele ecossistema.
O que se observa é que, em relação às iniciativas governamentais, o governo federal tem tido uma atuação pífia. Principalmente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão que, teoricamente, teria a responsabilidade de ampliar suas ações preservacionistas a um campo bem mais amplo do que a simples burocracia de gabinete em Brasília. Basta o que fez esse órgão, ao autorizar o enchimento do lago da Usina de Salto Primavera, acarretando drástico desequilíbrio à flora e fauna aquática do Rio Paraná nos últimos anos, conforme ação civil pública em trâmite na Justiça Federal.
Nem era preciso lembrar que fugir à responsabilidade de contribuir para a preservação do Parque Nacional de Ilha Grande não está à altura da importância daquele ecossistema para a região de Entre-Rios, para o Estado e para o País.
O que tem sido feito em defesa da Ilha Grande é obra quase que exclusiva do esforço regional, embora ainda insuficiente. Urge salientar que nem mesmo o plano de manejo das ilhas banhadas pelo Paranazão, há anos reivindicado pelos municípios do Coripa, foi concluído pelo Ibama, impossibilitando a exploração racional voltada ao ecoturismo naquela região e, sobretudo, à educação ambiental.
Esta contradição desmascara do discurso oficial, entre o que prega e o que executa, e leva a concluir que, se a região pretende manter aquele parque nacional intacto para as próximas gerações, terá que continuar lutando com suas próprias forças, se possível ampliá-las. Mas com a coragem de denunciar a omissão de quem realmente teria a responsabilidade pelo trabalho mas até agora quase nada fez.





