EDITORIAL
É louvável a preocupação de lideranças regionais ao proporem a discussão de temas de grande interesse regional, como a realização de ações conjuntas para a retomada do desenvolvimento sócio-econômico. Entretanto, algumas questões requerem atenção maior por parte das lideranças municipalistas de Entre-Rios, até por que, se não solucionadas em tempo, podem inviabilizar qualquer tentativa de unir a região em torno de um projeto comum.
No início de outubro, quando se preparava um grande seminário para alavancar o desenvolvimento econômico da região a partir da priorização de investimentos nos mais variados setores produtivos, vinha à tona o descontentamento de lideranças e moradores de alguns municípios da região em relação à mudança no traçado da BR-487, a Estrada Boiadeira, que liga a região ao Porto de Paranaguá.
Em Maria Helena, a Câmara de Vereadores chegou a aprovar documento no qual manifesta a revolta dos moradores com a possibilidade do município se distanciar da rodovia. O protesto ecoou também em Cruzeiro do Oeste e Nova Olímpia.
A mudança no trajeto da estrada, em estudo pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), privilegia Umuarama, cidade-pólo e que desfruta de uma estrutura muito superior em relação aos seus vizinhos. É claro que está se levando em conta os benefícios que uma rodovia federal poderia trazer, no sentido de criação, quase que necessária, de novas estruturas de serviços essenciais aos futuros usuários da estrada. É exatamente nesse ponto que está a polêmica.
Parece justo o protesto de municípios vizinhos, que vêem na abertura da estrada uma forma de diversificar suas economias, de olho nos investimentos que certamente seriam atraídos à região. Mas também não se pode condenar a iniciativa de lideranças umuaramenses, ao tentarem fazer com que a rodovia passe mais próximo da cidade, que é um reconhecido centro médico, educacional e de prestação de serviços.
Pelo sim ou pelo não, tem ainda uma outra questão crucial: quando o projeto será executado. Ora, todas as lideranças regionais e a população de Entre-Rios sabem que a Estrada Boiadeira constitui uma das mais antigas reivindicações da região. Já são mais de duas décadas de espera.
De nada adiantaria se ter a garantia da rodovia passar aqui ou acolá sem que a obra seja efetivamente concretizada. Não seria mais inteligente unir forças na luta pela execução da obra, em benefício da região como um todo? É uma questão para se pensar mais. E seria fundamental se a Associação dos Municípios de Entre-Rios (Amerios) tomasse uma posição.





