Autoridades ligadas à área de segurança pública e prefeitos da região de Entre-Rios estão discutindo a necessidade de construção de uma penitenciária regional. Sabe-se que o sistema carcerário na região é caótico.
Grande parte das cadeias encontra-se em estado precário, algumas interditadas e muitas com superlotação. Nos organismos policiais é latente a falta de estruturas materiais e humanas suficientemente capazes de proverem a segurança ao cidadão.
Está sendo preciso escancarar a precariedade do sistema para dar ênfase à proposta de construção de uma unidade penal na região. Entretanto, em que pese a seriedade embutida na iniciativa das autoridades envolvidas nessa discussão, o que é inquestionável, não é necessário alguém ficar lembrando o tempo todo que a segurança pública anda capenga. Esse é um problema que tem raízes em todo o Estado e no País.
Aqui mesmo na região de Entre-Rios, não faz muito tempo, alguns prefeitos brigavam com o governo estadual para garantir a mínima segurança aos moradores dos seus municípios. Um bom e recente exemplo é o do município de São Jorge do Patrocínio, onde foi preciso lideranças e população pressionarem o governo para garantir que uma única viatura policial tivesse condições de ser utilizada nas rondas pela cidade.
Em Alto Piquiri, há algum tempo, os moradores também saíram às ruas protestando contra a falta de segurança na cidade. Mesmo em Umuarama já houve dias em que viaturas não puderam rodar por falta de combustível.
É preciso concordar com o juiz Alberto Marques dos Santos, de Umuarama, quando afirma que a prioridade para o setor da segurança pública é verbal. Isto é, limita-se ao discurso. Na hora de repartir o dinheiro a questão da segurança é o primo pobre. Em outras palavras, a estrutura disponível para a segurança não faz frente à organização criminosa. E isso é péssimo para o cidadão.
Com esta visão, não deixa de ser louvável a preocupação de autoridades regionais ao proporem a construção da unidade penal. Mas vale encarar a proposta como parte do desafio, apenas. Primeiro é preciso saber se o governo do Estado tem interesse, e dinheiro suficiente, para investir no projeto, o que é de se duvidar.
Pelo sim ou pelo não, é indispensável exigir que o governo cumpra a sua parte na questão da segurança pública regional. Não somente no sentido de solucionar o problema da superpopulação carcerária, mas também na manutenção de uma polícia dotada de recursos humanos e materiais para garantir o trabalho que cidadão espera dela, e paga por isso. Se não for assim, vamos trocar seis por meia dúzia.

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