EDITORIAL
Em recente edição da Folha, o prefeito de Perobal, José Evangelista de Albuquerque (PSDB), conclamava demais prefeitos da região para um esforço integrado em prol da viabilização do Hospital Regional. Albuquerque lembrava que a região, que busca caminhos para retomar definitivamente o seu desenvolvimento sócio-econômico, não pode esperar que a saúde pública se transforme num caos. Referia-se Evangelista à grande preocupação com a diminuição de leitos hospitalares para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Passados cinco meses da apresentação da proposta de criação do Hospital Regional, pouco se conseguiu. Pelo jeito, nem o governo do Estado nem o Ministério da Saúde têm interesse em financiar o projeto. Isso faz suscitar um passado difícil. Nas últimas duas décadas, a região de Entre-Rios levantou importantes bandeiras em prol do seu desenvolvimento econômico e consequente melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes. Mas a história não é favorável.
Quem não se lembra de grandes movimentos regionais, como a Eco-Noroeste nos anos 80, em que se propôs aglutinar forças regionais, principalmente político-governamentais, no sentido de realizar um grande mutirão pela retomada urgente do desenvolvimento regional? Foi numa época na qual lideranças políticas, principalmente prefeitos, demonstravam grande preocupação com o acelerado processo de empobrecimento do solo da região, que já praticamente inviabilizava qualquer atividade agropastoril.
Repetia-se frequentemente estratégias de desenvolvimento copiadas de movimentos bem mais antigos e que exigiam a participação direta e efetiva dos governos estadual e federal. Tais iniciativas, infelizmente, desandaram, e ainda pagamos o preço. Alguns projetos que eram considerados vitais para alavancar o desenvolvimento regional caíram no esquecimento. Um desses é a pavimentação da Estrada Boiadeira, entre Campo Mourão e Porto Camargo (Icaraíma), que ainda está na pauta mas é difícil acreditar que o governo federal toque o projeto até o fim. Com outros projetos foi pior ainda: foram inviabilizados, como o da estrada de ferro Cianorte-Guaíra e o da Escola Agrícola Federal.
E o Hospital Regional, pelas circunstâncias que se apresentam, vai seguir o mesmo rumo? Ou desta vez a região, através dos seus prefeitos e dos seus representantes políticos em Curitiba e Brasília, vai ter a coragem de encarar e vencer o desafio?





