EDITORIAL
As justificativas do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e dos altos escalões do governo do Estado já não convencem deputados, prefeitos, vereadores e a comunidade, que insistem na retomada e conclusão de várias obras paralisadas no Vale do Ivaí. Ao que parece, o governo Jaime Lerner condiciona tudo, daqui para frente, à venda da Copel.
Obras que estavam compromissadas com municípios e até outras, que foram iniciadas e depois paralisadas quando ainda nem se falava em venda da Copel, agora dependem da privatização da companhia de energia elétrica. Já se esgotaram os limites das intermináveis peregrinações de prefeitos e vereadores, devidamente apadrinhados por seus deputados, aos gabinetes do governador Jaime Lerner, do secretário dos transportes Nelson Justus e do diretor geral do DER, Paulinho Dalmaz.
O Vale do Ivaí não está reivindicando nada de absurdo. Deseja tão somente que sejam concluídas, principalmente as obras rodoviárias, do Programa Caminhos do Saber, que estão abandonadas na região. Em muitos casos, boa parte dos recursos investidos em tais obras foram praticamente jogados fora. E isso porque, com a interrupção da obra, a base deteriorou-se pelas chuvas ou pelo tráfego contínuo de veículos.
Existem ainda alguns casos em que obras foram dadas como concluídas, mas num curto espaço de tempo, as estradas já encontram-se em estado precário, com a proliferação de buracos e até com o desaparecimento da camada de asfalto que havia.
Nestes casos, a inadimplência do Estado junto às empreiteiras gerou seguidas paralisações nos serviços e exagerada economia no uso de material, conforme constatação feita por prefeitos e vereadores de vários municípios da região.
Não há como negar que muitas destas obras foram iniciadas em período pré-eleitoral, ou seja, justamente na época em que o governador buscava sua reeleição. Vale lembrar ainda que boa parte da votação atribuída a Lerner na região tem a ver com a execução destas obras que, por ora, estão inacabadas. Situações como a de Ariranha do Ivaí, único município da região que não é ligado por via pavimentada, são inaceitáveis.
Trata-se de um trecho de apenas 12 quilômetros e cerca de 35% da obra (base) está pronta, mas deteriorando-se com a paralisação. Em períodos contínuos de chuvas, como está ocorrendo agora, neste início de inverno, a cidade fica isolada. Estudantes ficam sem aulas e, às vezes, existe dificuldade para encaminhar pessoas doentes a hospitais de Ivaiporã e região.
Diante deste quadro, ficam algumas inevitáveis indagações? A conclusão de tais obras irão acontecer apenas à véspera da eleição de 2002? Ou será que as obras serão apenas retomadas à véspera da eleição do próximo ano? E se isso realmente acontecer, o investimento terá o retorno eleitoral esperado pelos atuais mandatários do governo?





