EDITORIAL
Diagnosticar o que já foi feito nos diversos setores da economia regional, com possibilidade de expansão dessas atividades e identificar os mais diversos caminhos que podem levar a região de Entre-Rios a uma nova realidade econômica e social a médio e longo prazo. Esse é o objetivo de um grupo de lideranças políticas e empresariais da Associação dos Municípios de Entre-Rios (Amerios), que estiveram reunidas na semana passada com o intuito de preparar um grande seminário sobre os rumos do desenvolvimento regional para os próximos anos.
A iniciativa, que conta com apoio de diversos órgãos governamentais, não-governamentais e de instituições de ensino superior, como a Universidade Paranaense (Unipar) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), é das mais importantes. Principalmente porque no bojo dessa discussão está se considerando que ao longo de anos a região Noroeste particularmente a região de Entre-Rios tem sofrido um generalizado processo de empobrecimento, sobretudo na agricultura que, quer queiram ou não, ainda é a principal base econômica regional.
A falta de perspectivas do homem do campo, sobretudo do pequeno produtor, ante um solo que tornou-se degradado e improdutivo, aniquilou quase que por completo a produção agrícola e agigantou o êxodo rural. Nas cidades, o inchaço populacional, o desemprego e o favelamento têm sido problemas de difícil solução.
Reverter esse quadro é preciso e o pontapé inicial já foi dado. O Programa de Arrendamento de Terras (Pater), lançado há três anos em Umuarama é um exemplo. É bem verdade que é um programa cujas características não encaixam à realidade do pequeno agricultor. Mas, por outro lado, ao trazer para a região culturas como a soja, produzida em grande escala em áreas que até pouco tempo eram ocupadas por pastagens degradadas, o Pater prova que o arenito caiuá, se tratado adequadamente, é tão produtivo quanto qualquer outro tipo de solo. Está comprovado em pesquisas do Iapar.
Na área industrial também existem bons exemplos. É o caso do setor moveleiro em expansão nos municípios de Umuarama e Douradina, ou o setor de confecções já consolidado em Cianorte, entre outros.
Entretanto, são iniciativas que, por mais importantes que sejam, não são ainda suficientes para levar a região à condição de um pólo economicamente forte e auto-suficiente. O que se busca no momento é a execução de um programa integrado de desenvolvimento sócio-econômico, dividido em sub-programas direcionados a todos os setores da economia regional. Isto é, do pequeno produtor rural, que produz para o sustento da família, aos maiores produtores; e do simples prestador de serviços e pequeno comerciante aos grandes industriais.
É evidente que tudo isso exigirá não apenas criatividade e força de vontade. Será preciso também a intervenção política de prefeitos e demais lideranças da região. E passa prioritariamente pela elaboração de bons projetos com os quais a região terá condições de exigir a efetiva participação dos governos estadual e federal.
O desafio está lançado. Resta agora às lideranças regionais e todos os segmentos da sociedade organizada abraçarem a causa e lutarem, efetivamente, para que os frutos desse trabalho sejam os melhores possíveis. Se não for assim, todo o esforço será em vão.





