Editorial - O pioneirismo sempre presente
EDITORIAL
O pioneirismo sempre presente
Estudiosos debruçados sobre a História de Londrina concluiram que a verdadeira e quase que inédita explosão de desenvolvimento que criou esta metrópole em plena mata foi devida a uma figura única: o pioneiro. Mas quem é o pioneiro? De modo geral, não tem uma raça, sexo, profissão, cor, religião ou nacionalidade definida. Quer dizer, é uma figura humana singular, produto da coragem e da disposição de quem não se conforma com as limitações e dificuldades da vida e decide enfrentar os obstáculos, sem medo, usando o trabalho, o destemor, a coragem para construir uma vida, contra, muitas vezes, todas as expectativas. As pessoas que vieram para este Norte do Paraná, nos anos 30, procediam de toda parte, dos mais diferentes rincões do Brasil, dos mais distantes países do mundo. E vinham com uma única disposição: a de construir a vida aqui.
O pioneiro é diferente da figura do explorador, aquele que deixa seu reduto natal e vai para outras terras a fim de abrir novos horizontes, com um intuito porém bem definido: quer conquistar espaço e ganhar o suficiente para voltar à sua terra de origem. Esta distinção marca de modo concreto o que acabou acontecendo em Londrina e, por extensão, em todo o Norte do Paraná. Os pioneiros vinham não para explorar mas com o propósito de criar para si e para os seus uma nova vida. Traziam na bagagem uma vontade férrea, uma disposição firme e, na mente, o sonho de construir um futuro. Longe de tudo e de todos, sabiam que só podiam contar com uma férrea disposição para realizar aquilo que se propunham e que podia parecer um objetivo elevado demais.
O sucesso que tiveram está ai, presente, neste pujante Norte do Paraná. O milagre realizado é visível por toda esta região. Entretanto, mais importante do que o exito obtido, fruto de uma dedicação plena, acabaram deixando a semente do pioneirismo para os que vieram depois. E isto, sem dúvida, responde a uma outra pergunta sobre os motivos pelos quais, 65 anos depois da emancipação política de Londrina, a cidade continua a exibir sua vocação de progresso, abrindo-se de modo corajoso para os desafios que estão surgindo a cada passo. Não estagnou no exito dos primeiros anos, não perdeu o rumo enquanto o tempo, implacável, levava os primeiros pioneiros. Ao contrário, continuou firme, mostrando que na sequência de sua História o pioneirismo estava sempre presente.
O segredo é este: o germe do pioneirismo foi mantido. Os primeiros legaram aos descendentes e a todos quantos foram chegando, atraidos pelo brilho de uma realização fabulosa, a mesma força, a disposição, o entusiasmo para que a obra iniciada não tivesse solução de continuidade. Por causa disto, é que Londrina encara com coragem e disposição o desafio que se coloca ante os seres humanos, aqui como em todo o Planeta, neste final de século, neste alvorecer de novo milênio. Hoje, há um panorama diferente. Londrina não está mais isolada, no meio da mata, longe de tudo e de todos, obrigada a realizar sua luta sem esmorecimento e sem contar com muita ajuda. A tecnologia moderna não conhece distâncias. Mas o que de fato resolve a questão não é este lado da capacidade criativa do homem e sim a disposição permanente, a luz do pioneirismo que se firmou aqui de modo impressionante e que tem servido de força para garantir a continuidade deste progresso.
O desafio do futuro esteve sempre presente nesta cidade e nesta região. E tem sido, como será sempre, enfrentado com o destemor de quem continua disposto a criar uma vida e um futuro. De quem, ao longo do tempo, construiu uma civilização e continua disposto a abrir caminhos, enfrentando sem medo os desafios do futuro.





