O espanto de um urbanista espanhol que visitou Londrina nos anos 60 explica, por si, muita coisa. Diante da verdadeira metrópole que Londrina já era à época, da febricitante vida em toda a região, das cidades igualmente dinâmicas que formavam o Norte do Paraná, ele se postava extasiado, dizendo não entender como surgira tudo aquilo ‘‘no meio do mato’’. Segundo tudo o que aprendera, este tipo de desenvolvimento visto por aqui só era possível nas proximidades dos grandes centros, das capitais. Londrina era uma exceção, com seu enorme desenvolvimento, tendo evoluído longe de Curitiba, inclusive com precárias estradas e enfrentando comunicações de péssima qualidade, uma realidade brasileira da época.
O que o visitante não conseguiu entender tem uma explicação até simples: os que vieram para esta região nos anos 30 e 40, e até mesmo subsequentemente, traziam na bagagem, junto com a esperança, uma vontade férrea. Não eram aventureiros, não vinham para encontrar ouro, jóias, e para voltar logo, ricos, para seus rincões de origem. Vinham para trabalhar e construir seu próprio futuro. Empenharam suas vidas nisto. E, numa verdadeira afirmação de sua competência, conseguiram superar todos os obstáculos - inclusive a distância e a falta de benesses dos governantes, que tão longe estavam -, e construíram este milagre.
Um milagre fruto do trabalho, da dedicação, da vontade e do sacrifício. E que ocorreu em todos os setores. Afinal, não foram só os homens da terra que vieram para cá. Junto com eles, que eram atraídos pela terra realmente fértil, que só esperava pelo trabalho dedicado, vieram também os homens da cidade, necessários para completar o ciclo. Vieram os comerciantes, os médicos, os advogados, os jornalistas. Londrina teve, desde os primórdios, os seus historiadores do dia-a-dia, os que faziam as notícias, os precursores do que agora se chama de mídia.
Há 50 anos, quando estava com apenas 14 de existência e já era para todo o Brasil sinônimo de um novo e diferente Eldorado, Londrina ganhou o que poderia ser mais um jornal, e que tomou seu nome: a Folha de Londrina. Na época, havia muitos, depois disto surgiram outros. Todavia, assim como Londrina avultou representando um tipo de milagre ‘‘no meio da mata’’, a Folha de Londrina também se sobressaiu, permaneceu, cresceu, enquanto outros ficavam pelo caminho.
Se o segredo de Londrina e do Norte do Paraná é o trabalho, o da Folha é o da integração a este trabalho. Pois, assim como os pioneiros vieram para plantar uma vida, a Folha buscou se integrar a esta vida, tornou-se participante dela, tornou-se mesmo o porta-voz dos anseios e reclamos desta gente corajosa que fez o Norte do Paraná. Cresceu com Londrina e foi muito além, atingiu outros municípios e outras regiões, tornou-se definitivamente estadual (e se converteu em Folha do Paraná, sem perder sua identidade), verdadeiro e firme baluarte das reivindicações do povo realizador e valente deste Estado.
A síntese da história destes 50 anos de Folha de Londrina pode ser feita precisamente assim: um órgão de imprensa que se identificou com as cidades, com o povo, e que, por isto, não só se tornou seu porta-voz mas é, inquestionavelmente, um membro efetivo do progresso que todos buscamos. E que quer continuar a ser assim nos próximos 50 ou 100 anos...

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