Edição tem início com a definição de Armando
Os anúncios distribuídos diariamente nas páginas da Folha são de responsabilidade de uma única pessoa: Armando Duarte, 55 anos e 37 com funcionário do jornal. Trabalhando junto ao Departamento Comercial, Armando é quem determina, de acordo com o pedido do cliente, para a Redação e para a pré-impressão quais são as medidas dos anúncios, programando todos em diagramas de páginas. O material editorial entra nos espaços vazios.
Armando recorda que os primeiros 15 anos trabalhando na Folha foram pródigos de histórias. Em 1961, conta, trabalhava como linotipista no jornal O Imparcial, de Presidente Prudente (SP). O mecânico de manutenção da máquina, Laudelino Ferraz, o Lau, falecido, e quem fazia a manutenção nos dois jornais, convidou Armando para vir trabalhar em Londrina. Eu vim, pois o salário era bem melhor. Como éramos poucos os profissionais que sabiam operar a linotipo, garanti o meu emprego, recorda.
Naquele tempo, o Departamento Gráfico funcionava no barracão (ver nesta edição) onde hoje é a Galeria Vila Rica. Depois foi transferido para o subsolo da galeria, para a construção dos prédios e dos cinemas. Trabalhar ali era um inferno. Como fazíamos a chamada impressão a quente e tudo era na base do clichê, tínhamos que derreter chumbo a uma temperatura média de 700 graus. A falta de saídas de ar tornava o nosso departamento ainda muito mais quente, recorda.
A equipe trabalhava de 18 a 20 horas por dia para rodar o jornal diário, incluindo encomendas de terceiros. O período de maior movimento, segundo ele, era no final do ano, quando as prefeituras e empresas publicavam seus editais, decretos e leis, além de balanços oficiais na íntegra. Hoje eles resumem tudo. Mas naquela época eram páginas e páginas de editais oficiais, aponta.
Seu Armando presenciou muitas histórias divertidas e interessantes. A nossa alegria, para desespero dos moradores dos prédios vizinhos, era quando acabava energia à noite. O chumbo esfriava e, para reaquecer a máquina levava em torno de duas horas. A gente então fazia bola de papel e ia jogar nos paralelepípedos da Avenida Rio de Janeiro. Era uma festa.
Nas histórias de Armando destaca-se o dia em que um diretor do jornal - ele prefere não identificar o personagem envolvido - cobrou dele quem estava pagando o anúncio de uma tal Clicheria Gaiota, uma empresa especializada em fazer clichês, mas que não anunciava no jornal. Depois de muito pesquisar, conseguiram descobrir que se tratava do anúncio das Chuteiras Gaeta. Estavam lendo errado no clichê (que é inertido). O duro é que estes erros aconteciam constantemente, diz, rindo.
Este clima de descontração era quebrado quando jornalistas e, principalmente, os linotipistas erravam em títulos ou matérias. Armando lembra o dia em que mataram um criminoso perigoso conhecido como Cara-de-Cavalo. O tituleiro fez um título que não cabia na página, tipo Mataram o Cara-de-Cavalo. Como alternativa, colocou na reserva o título Mataram o Cara-de-Mula, que coube certinho, mas certamente não poderia ser utilizado. No dia seguinte o título errado foi publicado, e todo mundo acabou recebendo o diploma de burro por causa disso, lembra Armando, rindo.
Antes de assumir o cargo atual, Armando Duarte trabalhou um ano como operador de componedora, máquina que substituiu a impressão a quente e facilitou o trabalho da equipe. A função atual de seu Armando é fazer que os anúncios sejam publicados exatamente como determinou o cliente, evitando os erros. Já houve tempo, quando os anúncios eram em fotolito, de trocarem os anúncios por de outros clientes ou simplesmente colocar um anúncio antigo. Hoje, através do sistema informatizado, o serviço ficou melhor. Mesmo assim estamos sujeitos a erros, o que evitamos diariamente, comenta.
Quando imperava o fotolito, para Armando nunca houve tempo ruim. Se precisasse, ele ficava até depois do expediente, ia ao Aeroporto buscar fotolitos, ligava, cobrava, e não descansava enquanto não fechasse o dia, entregando todo o material. Esse trabalho na Folha é tudo o que eu sempre quis, revela, com orgulho. (A.S.)





