Ecos dos microfones pés-vermelhos
Só mesmo uma cidade com vocação ao progresso poderia ganhar uma emissora de rádio tão precocemente, aos 9 anos de existência, quando ter um prefixo local era símbolo de status para qualquer região. Londrina já era palavra forte e virou nome de rádio, a primeira da Capital Mundial do Café. Era 15 de novembro de 1943.
Nos anos em que o maior conflito internacional, a Segunda Guerra, abalava e movia o planeta, com a dor de cada baixa e a injeção de tecnologia na vida das pessoas, Londrina começava a construir sua identidade. A formação de uma opinião pública, iniciada com a circulação de jornais, se consolidaria com a audiência radiofônica. A cidade dos forasteiros em busca de fortuna passava a se ouvir e a se conhecer melhor.
A primeira parte da reportagem especial que a Folha começa a publicar hoje mostra a primeira idade do rádio na cidade e como foi a implantação da primeira emissora.
A série dominical prossegue com a ebulição dos programas de auditório, um fenômemo do Brasil urbano que se ramificou pelo interior com o mesmo impacto verificado nos grandes centros. A comunicação de massa engatinhava mas já era capaz de criar celebridades regionais e trazer à mídia o jeito simples e alegre do interiorano. Autênticas manifestações artísticas que geraram a empatia, que nos 60, basearia a popularidade da TV.
A série também vai abordar as dificuldades do rádio AM, as de sempre e as específicas da atualidade. Palavra de quem as dirige e de quem saiu de baixo, de quem passou por todos os postos do universo radiofônico e que influenciou boa parte dos 70 anos da cidade.
A reportagem da Folha conheceu facetas distintas da força do rádio e vai contar como emoção e adrenalina estão no noticiário policial, em transmissões esportivas, nas extintas radionovelas e nos talk-radio. Microfones ao mesmo tempo tomados por nervosismo e ternura, ao mesmo tempo relatando o fato e registrando a memória afetiva da população.
A homenagem da Folha aos 60 anos da história radiofônica inclui estudo e relatos sobre a influência política que o veículo exerce nos ouvintes, sobre como as emissoras foram se tornando palanques tomados por cabos eleitorais. Na latinha começou boa parte dos mais importantes homens públicos nestes 60 anos e eles não negam gratidão ao veículo. Mais um forte indício de que a história da cidade não teria sido a mesma sem o rádio.





