‘‘O dólar, o ladrão leva. O banco pode quebrar. As ações sobem e descem. E o imóvel é mais palpável’’. A declaração é do economista e professor da Universidade Estadual de Londrina, Renato Pianowski. Segundo ele, observadas algumas condições, o investimento em imóveis é quase sempre um bom negócio. ‘‘Até seu principal defeito, a falta de liquidez, pode ser uma virtude. Muitas vezes, por qualquer pequeno aperto, as pessoas lançam mãos de suas poupanças e outras aplicações bancárias’’, afirma.
O professor ressalta, no entanto, a necessidade de os compradores tomarem uma série de cuidados básicos na hora de comprar ou construir. ‘‘Ninguém deve ser louco a ponto de construir uma boa casa num bairro ruim. Ou uma casa ruim num terreno valorizado. Isso será sempre um péssimo negócio’’, lembra Pianowski. Uma boa dica, segundo ele, é examinar os equipamentos urbanos e a infraestrutura existentes no local.
O economista destaca que comprar na planta é uma excelente opção. ‘‘Geralmente, essa modalidade oferece maior rentabilidade. Quando você compra o imóvel pronto, tem sempre alguém que já realizou o lucro que você poderia realizar tendo comprado na planta’’, justifica.
Pianowski também ressalta a possibilidade de ganho quando se investe em locais que ainda vão se desenvolver muito. ‘‘Imagine se a cidade crescer como se espera para os lados do Marco Zero (Zona Leste) como se voltou para a Gleba Palhano (Zona Sul). Quem tiver um imóvel por lá vai ganhar muito dinheiro’’, avalia.
Professor da Pontifícia Universidade Católica de Londrina, o economista Charles Vezozzo também considera os imóveis como bons investimentos, principalmente para quem não tem necessidade de liquidez. ‘‘Você nunca vai saber ao certo quanto tempo será preciso para conseguir revendê-lo’’, justifica. Ele também ressalta a necessidade de o comprador analisar bem as condições do imóvel e sua localização. ‘‘A grande demanda hoje é por imóveis pequenos e médios’’, sugere.
Rendimento
Já o consultor financeiro Raphael Cordeiro, de Curitiba, lembra que apesar de ser uma forma conservadora de investimento, os rendimentos, geralmente, ficam acima dos ganhos proporcionados pela caderneta de poupança. Ele acrescenta que nos últimos 40 anos, as aplicações em bolsa de valores geraram lucro de cerca de 9%, enquanto a renda fixa, 7%. Apesar de não haver levantamentos que indiquem os rendimentos sobre o mercado de imóveis nesse mesmo período, o consultor afirma que esse investimento rendeu aos investidores curitibanos cerca de 17%, já descontada a inflação do período. ‘‘O crédito imobiliário ainda é muito pequeno se comparado com o de outros países e as taxas podem alcançar mínimas mais baixas que as dos anos anteriores’’, afirma Cordeiro.
Na avaliação de Luiz Gustavo Salvático, gerente regional da Construtora Plaenge em Curitiba, o melhor período para a compra de um imóvel é na planta. Segundo ele, essa forma de investimento é a mais segura, uma vez que o valor de entrada é diluído durante a construção do imóvel. ‘‘Quanto antes se compra (imóvel), maior é a flexibilidade de pagamento e maior o prazo’’, diz. Uma das vantagens, de acordo com Salvático, é que a compra do imóvel ainda na planta possibilita a escolha da unidade na qual se quer investir como a posição em relação ao sol, o número de vagas de garagem, dentre outros itens.
Os investimentos devem sempre levar em consideração a sua localização, independentemente do padrão ao qual se busca ou do número de dormitórios, no caso de unidades residenciais. É importante também pesquisar a região na qual se pretende adquirir o bem, se a localização é atrativa para investimentos, se o imóvel cabe no bolso do comprador e se o interessado poderá arcar com os custos sem se tornar inadimplente. ‘‘O comprador tem que ir atrás do melhor custo benefício, não do mais barato’’, comenta Salvático.

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