Em 1961, eu era estudande no Colégio Estadual Vicente Rijo, e atuava como plantonista da Rádio Londrina, com Francisco Rufino. Naquele ano, tive oportunidade de ficar cerca de 20 dias em Curitiba, trabalhando para a rádio. Meu trabalho na emissora era facilitado porque meu pai, Bento Ribeiro, assim como Rufino, era diretor do Amador do Londrina. Eu já conhecia Nelson Severino, redator de Esportes da Folha de Londrina, e muitos outros jornalistas e funcionários, porque eu jogava futebol no time da Folha, a convite de Darci Barbieri. Toda segunda-feira, Nelson coletava comigo os resultados do fim de semana do Amador.
Para facilitar minha colaboração, certo dia perguntei ao Severino se era possível ele me arranjar uma ‘‘carteirinha’’ da Folha. Ele ficou de falar com o seu chefe Nilson Rímoli. Lembro-me que dias depois retomei o assunto e qual foi a minha surpresa quando o Nelson Severino me disse: ‘‘Não só arrumei uma credencial pra você, como também um emprego’’. Quase caí duro. Não acreditava no que ouvia. Já era junho isso. Acertei com ele os detalhes da apresentação.
E numa segunda-feira, 12 de junho de 1961, às 14 horas, eu estava em frente da Folha, esperando o Nelson Severino. Em sua companhia, entrei, trêmulo, na Redação. Nem escrever à máquina eu sabia. Receoso, dedilhei os resultados dos jogos do Amador daquele final de semana. Demorei, mas consegui. Aos poucos fui sabendo quem era quem na Redação: Militão, chefe do Esporte, João Rímoli, Mário Santana, que fazia coluna de Discos e que em 64 ficaria sob minha responsabilidade; Wilson Silva, o Walmor Maccarini, sobrinho do seu João Milanez.
Por volta das 17 horas entra o Nilson, pára bem à minha frente (eu já tinha uma mesa, que era ao lado da do Nelson, claro) e diz, perguntando para o Nelson: ‘‘Esse é o seu foquinha, é?’’ Só consegui responder ‘‘boa tarde’’.
Com o passar do tempo, minha curiosidade foi aumentando. Queria saber como era feito o jornal. Terminava meu serviço na Redação e ia para a Oficina ver o pessoal trabalhar. Curiosamente, um dia, o Mineiro (Alexandre Rocha), sorrindo, disse: ‘‘‘É velhinho, esse aí (referindo-se a mim), pelo jeito nunca mais sai da Folha’’. Ele tinha razão. Já se passaram 37 anos e alguns meses. Fiquei sabendo e conhecendo quase tudo. Como não conseguia ir para casa porque queria ficar mais e mais no jornal, o Nilson pediu que ficasse no lugar da telefonista, pois o PABX fechava por volta das 19 ou 20 horas e complicava a comunicação. Encarei, e passe a receber uns trocado a mais por causa disso.
Não demorou muito e de tanto ir à Oficina, passei para a revisão, onde aliás aprendi muito, porque lia praticamente todo o jornal, inclusive anúncios. Mais trocados. Nessa época já faturava cerca de 12 cruzeiros por mês. Acho que o salário mínimo girava em torno de 3 a 4 cruzeiros. Já ganhava bem, mas trabalhava na Redação, atendia o telefone e fazia revisão. Ajudava, ainda, quando estava no telefone, a atender ao balcão, porque o Nando e o Walter saíam para atender sua clientela. Isso foi até mais ou menos em 68, quando me casei e fiquei apenas na Redação.

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