É tempo de retomar o crescimento
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terça-feira, 24 de outubro de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

A crise econômica que assolou o Brasil nos últimos anos dá sinais de que pode estar chegando ao fim. As micros e pequenas empresas que sobreviveram à recessão enfrentam agora o importante desafio de retomar o crescimento e aplicar as lições aprendidas nos tempos de turbulência econômica para tornar as empresas cada vez mais sustentáveis.
Marco Antonio Nascimento Cunha, consultor nas áreas de gestão e finanças, docente em cursos de pós-graduação em gestão empresarial e gestão financeira na ISAE/FGV e diretor Financeiro do Grupo Mercadomoveis é o convidado do EncontrosFolha para a palestra principal do evento. Doutorando em Administração na Universidade Federal de Possadas (Argentina), mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e farmacêutico pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, ele vai usar a ampla experiência profissional nas áreas de varejo, agronegócio e construção civil para apontar caminhos para os pequenos negócios.
Otimista, Cunha acredita que os próximos cinco anos serão de crescimento econômico. "Temos condições para isso", afirma, diante da conjuntura de baixa inflação e taxas de juro reduzidas. Neste cenário, é preciso se preparar para aproveitar oportunidades. "Os empresários estão machucados, desmotivados, mas precisam acreditar no Brasil que dá certo. É hora de deixar o Brasil errado de lado e acreditar no que pode dar certo para sua empresa. É hora de buscar resultados", pede.
O palestrante lembra que o País passou por forte ciclo de crescimento nos anos 2000, o que garantiu bons resultados mesmo às empresas com deficiências de gestão. A crise obriga a baixar preços e impõe uma realidade de menos vendas. A única solução é fazer mais com menos, ou seja, aumentar a eficiência para sobreviver.
As oportunidades pós-crise, portanto, serão mais generosas com quem foi mais eficiente. Ele lembra que muitas micros e pequenas empresas (MPE) enxugaram a estrutura, reduziram operações, endividamento e até despesas pessoais dos donos, eliminaram produtos que não davam muito resultado e persistiram. "Esses podem acreditar no futuro", garante.
Não significa, porém, que não haverá necessidade de mudanças. "O empresário precisará entender que a demanda pode mudar. Quem pensar no futuro do negócio e investir em tecnologias mais modernas, que imponham menos custos, terá mais chances de crescer", reforça, lembrando que a rapidez é essencial para se adequar. "Só uma coisa não muda. Quem tem produto de qualidade, bom atendimento e preço justo sempre terá clientes."
Já as empresas endividadas, ou que não conseguiram manter equipes qualificadas por causa da crise terão que desenvolver o que Cunha chama de "olhar técnico". "É imperativo fazer um diagnóstico claro da realidade e um plano de negócios sensato, em harmonia com o dia a dia da empresa", ensina. A criatividade também é importante para se recuperar em um contexto onde falta capital de giro, mão de obra qualificada e produção defasada. "É possível terceirizar a produção, ganhar menos, mas continuar atendendo o cliente", exemplifica.
Analisar item a item e identificar o que realmente traz resultado ajuda a questionar os próprios processos. "Também é preciso sair da cadeira e ir para a rua. Quem vai atrás sempre encontra clientes."
Grandes corporações já foram pequenas empresas
O palestrante principal do EncontrosFolha, Marco Antonio Nascimento Cunha, afirma que as micros e pequenas empresas são o berço da economia. "Grandes corporações não aparecem do nada. São pequenos negócios que evoluem para grandes empresas", analisa.
Pequenos que se tornam grandes, segundo ele, em geral trouxeram algum tipo de inovação ao mercado, seja por meio de produtos, pela gestão ou por novas formas de atuar. "O empreendedorismo alimenta o mercado com novas empresas. O empreendedor é a pessoa que muitas vezes coloca a carreira e o capital em risco para ser empresário", comenta.
Ele destaca que empreendedores com vocação comercial realizam com mais facilidade, assim como as pessoas criativas que acabam incorporando inovações. Já os que têm perfil menos arrojado devem se destacar pelo investimento em gestão técnica, com planejamento e boa administração. "As técnicas de gestão são uma ferramenta inquestionável e trazem resultados", garante.
Um bom planejamento deve estar no plano de negócios da empresa. Quem o executa precisa entender o mercado e produzir com qualidade maior e custo menor. "Com uma gestão eficiente, sobram recursos até mesmo para contratar um bom vendedor", sugere. (C.A.)


