'É só dar play'
O diretor da Cinemateca de Curitiba, Francisco Alves dos Santos, confirma: no primeiro semestre de 2009, depois de cinco anos, o Cine Guarani voltará a funcionar. A novidade, além do projetor 35mm, será o digital - mesmo equipamento que a Cinemateca irá receber.
''É só dar play'', diz o projecionista e gerente do Cineplex Batel, Mendel Aronis, 75 anos, ao explicar o mecanismo do equipamento. Das cinco salas do complexo, duas têm projeção digital. Nestas, não há necessidade de trocar os rolos de película: os filmes são arquivos baixados pelo sistema.
Luciano Seixas é um dos três técnicos que trabalham com Aronis. Tem 23 anos, mas já é projecionista experiente: está na função desde os 15, a mesma idade com que entrou no cinema pela primeira vez.
''Vai levar uns 30 anos, no mínimo, para acabar este tipo de trabalho. Tomara que dê para cumprir a aposentadoria nessa área'', afirmou ele. A profissão fascina o jovem. ''Adoro e não tem coisa melhor. Você move o cinema, pois tudo gira em torno da projeção'', complementou.
Enquanto em outros tempos era costume ter assistentes na função, hoje a situação é diferente. Seixas, por momentos, chega a operar a projeção nas cinco salas do complexo ao mesmo tempo. Lembra da época em que trabalhou para a rede Cinemark. ''Lá era tudo automático. Você apertava o botão e o sistema dava início ao filme e controlava o acendimento das luzes da tela, do piso, enfim, de tudo'', relatou o projecionista.
O som do filme
Entre 1950 e 1960, Harry Luhm (hoje, dentista aposentado) projetou longas-metragens em 16mm, às terças-feiras, no Clube Concórdia, onde organizava um cineclube. ''Com o digital, termina a graça. Acaba o barulho do projetor, que soa para mim como uma música. É como o apito de uma locomotiva para o seu maquinista'', comparou ele.
Se o ofício técnico já não é tão requisitado, a vontade de muitos deles em seguir na área continua. É o caso de Francisco Amancio da Silva, projecionista da Cinemateca e do Luz. ''Tenho um colega que se recusa a trabalhar com digital. Penso diferente: o cinema é minha vida e daqui só saio de bengala'', afirmou categórico.
Os entrevistados divergem sobre o tempo que a profissão vai durar. Mas em uma coisa concordam: sempre vai ter alguém, seja sob a alcunha de ''projecionista'' ou não, para dar o start da sessão. Tenha um bom filme. (R.U.)





