É preciso persistência
Inúmeras ''pedras'' no caminho dificultam e, na maioria das vezes, impossibilitam a ascenção profissional no glamouroso mundo da moda. Quando uma agência aposta em uma menina ou menino, isso não quer dizer, necessariamente, que ele ou ela vai ''acontecer''.
As razões das tentativas frustradas são previsíveis: inexperiência (é difícil ficar longe de casa quando se tem 13, 14 anos), falta de persistência (ser constantamente recusado nos castings, sem desanimar, não é para qualquer um) ou inadequação ao ritmo de trabalho que, em temporadas de moda, começa de madrugada e termina altas horas da noite.
Há ainda o fator financeiro. No início da carreira, as agências fazem um empréstimo para as new faces bancarem as despesas com moradia, alimentação, transportes e outros serviços, como nutricionista e academia de ginástica. As contas vão sendo quitadas com os rendimentos provenientes de desfiles, catálogos e campanhas. Equanto a modelo não deslancha e esses trabalhos não acontecem, a dívida vai se acumulando. Em alguns casos, é preciso anos de batente para ver a cor do dinheiro.
Não é difícil entender, portanto, porque somente uma ínfima parcela dos que se aventuram pela profissão chegam a ter uma considerável conta bancária. E porque, entre eles, pouquíssimos realmente emplacam como modelos de sucesso. Outra questão que pode dificultar as coisas para as candidatas a tops é o comportamento inadequado. ''Não adianta ser só magra e bonita. Tem que ter um padrão de conduta, ser bem-humorada, saber conversar. Os clientes valorizam isso, querem modelos preparadas em todos os sentidos'', revela Thaís Porto, 22 anos, 1.79m, 57 quilos, modelo e estudante de Nutrição da Unopar. Recém chegada do México, onde morou durante todo o ano passado, ela deu um tempo na carreira que ia de vento em popa por lá para terminar a faculdade e curtir a família e os amigos em Londrina.
A aposentadoria precoce, entretanto, está longe de seus planos. ''Acabou essa história de prazo de validade para a carreira de modelo. Tem muitas áreas para a gente atuar, não é só passarela. O fashion quer meninas mais novas, mas o comercial contrata modelos mais experientes para televisão, catálogos e campanhas'', afirma. (R.V)





