É preciso ajuda para parar de fumar
A costureira Leonilda Margarida Muller, de 48 anos, integra as estatísticas de curitibanos que abandoram o tabagismo, depois de 33 anos de incontáveis baforadas. O que pesou para a difícil missão de deixar o vício foi sua saúde e o sentimento de exclusão dentro de sua própria casa. Hipertensa, os três filhos a condenavam por causa do cigarro. ''Nos primeiros dias fiquei muito mal. A pressão subiu, fiquei nervosa, deu ataque de choro. Hoje, não tem mais sentido eu acender um cigarro'', contou Leonilda, que está há mais de oito meses sem fumar.
A depiladora Vilma Afornalli, 48 anos, também, decidiu lutar contra o tabagismo, três décadas e meia depois de começar a fumar. Acendeu seus primeiros cigarros por volta dos 13 anos, por influência de familiares, que também fumavam. ''Acho que todo fumante tem vontade de parar de fumar'', disse Vilma, que confessa ainda sentir vontade, mesmo nove meses depois de abandonar o vício.
As duas ex-fumantes afirmaram que a decisão de parar de fumar partiu delas, mas ambas admitiram ter precisado de ajuda para isso. Elas participaram de grupos do ''Viva Sem Cigarro'', programa da Prefeitura de Curitiba, realizado em oito unidades de saúde, dois centros de atendimento psicossocial e no Hospital Cajuru.
O enfermeiro Eduardo Funchal, que coordena o ''Viva Sem Cigarro'' na Unidade de Saúde Santa Felicidade, explicou que o programa segue modelo proposto pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), aliando terapia cognitiva comportamental e apoio medicamentoso.
A abordagem dos fumantes é feita via central de marcação de consulta especializada. Todos os profissionais de saúde de Curitiba são orientados a questionar sobre o vício durante atendimento. Funchal com a listagem de pacientes em mãos, liga para cada um, falando do programa de cessação do tabagismo. Os primeiros grupos foram constituídos dessa forma. Agora, já há lista de espera, pois quem já participou indica o programa para conhecidos e e familiares.
Primeiramente, é feita uma avaliação clínica individual, que leva em conta o histórico de saúde e nível de dependência química. Segundo Funchal, essa avaliação é que vai definir, entre outras coisas, se a pessoa precisa ou não de apoio medicamentoso.
O programa é dividido em quatro etapas. Já na primeira sessão, é repassada a estratégia de como parar de fumar. Nos próximos encontros, os grupos são orientados, basicamente, sobre como lidar com a síndrome de abstinência, sobre como prevenir ganho de peso e sobre os benefícios de ficar sem fumar. Concluídas as quatro etapas, os pacientes passam para os grupos de manutenção, participando de reuniões mensais.
Funchal afirmou que 30% das pessoas, que decidem parar de fumar, não retomam o vício, pelo menos, nos primeiros 12 meses, segundo estimativa do Inca. Como o trabalho na Unidade de Saúde Santa Felicidade não completou um ano, o índice de cessação, ainda, não foi calculado. Entre 65% e 70% dos fumantes que passaram pelo programa na unidade, segundo o enfermeiro, concluíram as quatro sessões. Cerca de 30% das pessoas abordadas e que fazem a avaliação clínica, não participam, nem mesmo, do primeiro encontro. (A.L.)





