É o fim de uma das mais belas paisagens naturais do planeta
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
Emerson Dias e Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
Sinônimo de gigantismo e batizada de obra do século, a Hidrelétrica Binacional de Itaipu se transforma em divisor de águas na economia e no turismo paranaense. Tanto no aspecto positivo quanto no negativo. A monumental obra de engenharia erguida pelos governos militares de Brasil e Paraguai, dividiria por igual a energia produzida, mas não o custo, US$ 16 bilhões, bancado quase que integralmente pelo Brasil. A dívida de Itaipu com a Eletrobras, que pagou a construção, só deverá ser quitada em 2023.
Nos 15 anos em que estaria em obras (de 1976 a 91), Itaipu empregaria cerca de 100 mil trabalhadores. Em 2000, trabalhariam na usina 3 mil pessoas, entre brasileiros e paraguaios. O desemprego desse contingente provocaria o inchaço populacional, a crise econômica e os assustadores índices de violência que no final do século assolariam Foz do Iguaçu e a paraguaia Ciudad del Este.
A dívida de Itaipu com o turismo e o meio ambiente pode ser facilmente traduzida em um fato: o desaparecimento de Sete Quedas, as fabulosas cachoeiras no Rio Paraná, em Guaíra. Mesmo distante 150 quilômetros da barragem da usina, os 19 saltos não resistem à formação do Lago de Itaipu, de 1,35 mil quilômetros quadrados (três vezes o tamanho do município de Curitiba). Em 19 de outubro de 1982, 14 dias após o fechamento das comportas, a população da região vê submergir um dos principais pontos turísticos do Estado.
Sem as Sete Quedas, o município vê sua população se estagnar na faixa dos 30 mil habitantes. Guaíra e os demais 14 municípios paranaenses banhados pelo lago, que formam a região batizada de Costa Oeste, patinariam na tentativa de aproveitar o mar de água doce para o turismo e esportes náuticos. Na década de 90, o governo estadual construiria seis bases náuticas na região, que acabariam abandonadas ou subaproveitadas. A usina viraria atração turística: receberia, desde 1977, 10,74 milhões de visitantes.
Do ponto de vista econômico, Itaipu traria dois benefícios ao Paraná. O primeiro seriam os royalties energéticos que, mensalmente, despejam nos cofres do governo do Estado e dos municípios afetados a maior parte dos quase R$ 30 milhões pagos pela binacional como compensação pela área alagada. O segundo benefício da hidrelétrica seria junto com o complexo de usinas construído pelo Estado nas últimas décadas ajudar a criar o superávit de energia que possibilitaria o surgimento de um surto industrial no Estado na última década do século.
Nos anos de 2001 e 2002, Itaipu deverá provocar um novo microciclo econômico na fronteira, com a instalação das duas últimas turbinas do complexo, que completarão o projeto de 20 unidades geradoras. A capacidade de geração de energia subirá de 12 mil para 14 mil megawatts. Pelo menos ao longo de parte deste século, Itaipu deverá continuar sendo a maior hidrelétrica do mundo.


