É Mossunguê, mas pode chamar de Ecoville
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Na parte comercial do edifício Ecoville fica o pet-shop Ecoville. Apesar de estarem localizados no Mossunguê, a marca criada para vitaminar o mercado imobiliário na região acabou virando referência mais forte do que o próprio nome do bairro, que em tupi-guarani quer dizer ''lugar agitado'', provavelmente devido ao vento forte que soprava por ali nos tempos indígenas.
Há 13 anos, quatro construtoras se uniram para criar uma grife imobiliária chamada Ecoville. O bairro escolhido para essa empreitada foi o Mossunguê, pois dispunha de bastante espaço livre, muita área verde e boa estrutura viária, com diversas vias de trânsito rápido. Cada construtora lançou um empreendimento com metragem diferente, para não competirem entre si, e pronto: O Mossunguê virou Ecoville.
Depois veio o edifício giratório, o Shopping Barigui e a área foi sendo valorizada. ''Desde quando foi lançado (o Ecoville) até hoje, o preço dos terrenos triplocou'', avalia Paulo Celles, vice-presidente de lançamentos e comercialização imobiliária do Paraná. Segundo ele, o bairro foi pensado dentro de uma concepção ecológica para tornar-se o que é hoje: um bairro bom para morar, vender e investir.
Do ponto de vista estrutural, a proximidade das vias rápidas permite construir edifícios altos. A quantidade de áreas verdes também atrai investidores e moradores. ''As construtoras não têm mais onde construir'', afirma Antônio Thá, gerente de lançamentos da Imobiliária Thá. Opinião semelhante tem o arquiteto Bruno de Franco: ''Não tem mais terreno em Curitiba'', o que faz do Mossunguê uma das últimas fronteiras para a construção civil da cidade.
As construtoras negam, mas o Mossunguê acabou por tornar-se um bairro voltado às classes A e B, com diversos edifícios de alto padrão. ''Não tem prédio popular'', reconhece Antônio Thá. Esta realidade se reflete no comércio da região. No pet-shop citado no início da matéria, só cachorros de raça. ''O pessoal que mora aqui é da grana'', observa a atendente Andressa Gonçalves. No mesmo conjunto comercial, está a lavanderia Lav System do empresário Rui Paulo Torres. Ele conta que o público do bairro é exigente e tem alto poder aquisitivo, o que pode ser constatado pelo guarda-roupa dos clientes. ''A gente vê que são roupas mais caras'', observa.


