‘‘É hora de avançarmos
na agroindústria’’
Kraw PenasSegundo o governador, a industralização do Paraná seguiu vocações regionais e as montadoras do Sul representam apenas 20% a 30% do parque industrialFolha: A Fábrica do Agricultor é que vai dar esse apoio?
Lerner: É, lá ele vai ter apoio e orientação. Um produtor de feijão vai poder pré-lavar, embalar... Qualquer que seja o produto, o agricultor vai poder colocar no mercado com preço melhor. Outra proposta, que é importante, diz respeito à atuação conjunta com a iniciativa privada. Nós implantamos o programa de qualidade e produtividade na agricultura do Paraná para manter os mercados atuais e conquistar novos, principalmente com relação à sanidade agropecuária. Hoje já existem sete conselhos municipais de sanidade agropecuária e até o final do ano serão instalados outros 140. A idéia é ampliar cada vez mais as perspectivas dos nossos agricultores.
Folha: Como o senhor avalia a situação da agricultura hoje?
Lerner: O Paraná vive um bom momento em sua agricultura, com uma safra recorde. E esta é a hora de avançar na agroindústria. O aumento de empresas é bastante grande. Eu digo que a Renault e a Audi deste mandato serão a agroindústria de alta tecnologia. Isso vai assegurar um avanço nos investimentos e nas alternativas ofertadas pelo Estado.
Folha: O senhor tem uma previsão de investimentos?
Lerner: Estamos trabalhando nisso. Felizmente para o Paraná, o Estado está num processo de industrialização bem direcionado com relação às vocações. Por exemplo, o Sul está recebendo grandes investimentos no setor da madeira. O Norte Pioneiro no mesmo setor e a região dos Campos Gerais e o Norte do Estado, no setor de embalagens, por exemplo. Hoje, a industrialização é bastante diversificada. A tal ponto que as montadoras - o segundo pólo automotivo do País - só representam de 25% a 30%. O grande investimento ainda é em relação ao que o nosso Estado produz. E vai ser cada vez mais na agroindústria, que é o forte do Paraná.
Folha: Muitos setores criticaram essa industrialização.
Lerner: É que, no começo, quando vieram as primeiras indústrias, eram todas do setor automotivo e ficaram na Região Metropolitana de Curitiba. Mas, a partir do momento em que todas as regiões do Estado foram contempladas, isso mudou. Londrina e todo o Norte hoje estão intensamente industrializados. O Sul, por exemplo, recebe investimentos maiores do que muitas montadoras. A Tafisa está investindo R$ 200 milhões. E tudo está ligado ao que produzimos e à transformação dos nossos produtos. O setor automotivo é novo, mas graças a esta imagem que o Paraná passou a ter, vieram outros investimentos. Um chama o outro. E o que é muito importante, na revolução da agroindústria, no ganho a mais que o agricultor terá, este Estado vai avançar ainda mais.
Folha: E o pequeno agricultor tem condições de fazer isso sozinho, numa propriedade também pequena? Ou será incentivado o cooperativismo?
Lerner: Trata-se de uma associação que os próprios produtores fazem naturalmente. O associativismo com orientação, o trabalho conjunto entre os produtores é que vai levá-los para a frente. Não podemos montar uma fábrica para cada um. Serão os barracões e vamos ajudar com recursos, financiamentos, equipamentos. Primeiro vamos aproveitar bem os centros de processamento que existem. E vamos criar nos distritos rurais que não têm. E o Paraná, mais uma vez, vai dar um grande salto. Acho que hoje o desafio do mundo inteiro é reabilitar o pequeno agricultor. E o mundo vai avançar em solidariedade e vai crescer, cada vez mais, se atender o pequeno agricultor. Os países que souberem fazer isso serão os que darão os melhores exemplos. Tenho certeza que o Paraná vai ser uma referência.

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