É dia de samba
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Vai ter batucada, hoje, no Calçadão da Rua XV. Às 18 horas, em pleno horário do rush. O evento comemora o Dia do Samba e faz parte do Festival Paranaense da modalidade, que começou na sexta-feira e segue até o próximo sábado. ''O samba está definhando na cidade. Estamos aqui para chamar à atenção disso'', exclama Adegmar José da Silva, 37, o Candiero, mestre capoeira e presidente do Centro Cultural Humaita, que organiza o evento.
Entre sexta e sábado passados, o festival trouxe a Curitiba o casal Rose e Mestre Limãozinho, este natural de Salvador. Oito mulheres e seis homens participaram da oficina de Samba de Roda do Recôncavo Baiano, em que aprenderam na prática um pouco das origens da cultura. Enquanto eles tocavam pandeiros e tumbadoras, elas sambavam.
''Quando você entra pela primeira vez na roda, agradece aos músicos'', explica Rosemeire dos Santos, 46, a Rose. Suas alunas têm de 11 a 51 anos, a mesma idade de João Carlos, seu marido. ''A gente ouve falar que as coisas não vão bem por aqui. Mas eu não acredito; o samba agoniza, mas não morre'', comenta o mestre Limãozinho parafraseando o sambista Nelson Sargento, cujas palavras estão nas camisetas que divulgam o evento. Nos cartazes, vem a provocação. ''Quem disse que no Paraná num tem samba?''. ''Basta dar uma olhada nos redutos periféricos. Sempre vai achar alguém. O que precisa é descobrir'', sugere Limãozinho.
''A gente gostava quando a tardinha chegava. Embaixo das três árvores o batuque começava'', diz a letra de ''Vila Tassi'', do final dos anos 1940, o primeiro samba-enredo feito em Curitiba de acordo com seu criador, Ismael Cordeiro, 81. Popularmente conhecido como Maé da Cuíca, ele é o único remanescente dos fundadores da Escola de Samba Colorado, em 1946, a primeira da cidade. A letra conta um pouco da história do grupo, criado por moradores da vila que dá nome à composição e que ficava onde depois foi construído o Moinho Anaconda, ao lado do Viaduto do Capanema.
Maé lembra que o ano era de 1945, um antes de virar escola, e a turma estava com receio de apanhar da polícia. Vestidos com camisetas brancas, com os instrumentos em punho, deixaram a preocupação de lado e foram ao Centro a pé. ''Subimos a Barão do Rio Branco. A negada tinha medo da Delegacia de Polícia, mas passamos por ali. Descemos a XV e fomos até a Osório. Depois viemos de volta.'' No retorno, ele pensou que o grupo, ''uns 18'', iria apanhar quando foi abordado por um grupo de alemães. ''Mas era um bar de coxas-brancas. E, para a nossa surpresa, nos convidaram para entrar e tocar no bar.'' O que era um grupo, no ano seguinte virou escola de samba com registro no cartório.


