E aí, Bocágil?
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Nasceu no dia 15 de setembro de 2008 o personagem que ia dar o que falar no círculos literários da cidade. Bocágil dizia que vinha em paz, e apareceu pela primeira vez em um comentário no post ''Ovo de Colombo'', no blog www.ossurtado.blogspot.com, do tradutor e poeta Ivan Justen. Logo depois, o anônimo criou seu próprio espaço, onde destilou críticas a escritores da Capital. ''Ele conseguiu resgatar o espírito do (poeta satírico português Manuel du) Bocage, que fazia críticas bem pesadas. Questionou a ação da Fundação Cultural de Curitiba e o tráfico de influências'', comenta o poeta Ricardo Pozzo, 37, que acompanhou a polêmica, considera a discussão válida e também foi alvo do anônimo. ''O Bocágil conseguiu alguns admiradores. Mas acho que ele confundiu política com questões pessoais. Pareceu que ele estava querendo se promover, como se dissesse: 'Quero derrubar a elite da produção cultural para o meu grupo assumir''', completa Pozzo.
''Residiu num verso livre? Soube escandir um soneto? Deste mundo um grilo te livre/ e torne o Pinóquio ao Gepeto'', escreveu Ivan Justen, 35, em resposta a um dos poemas de Bocágil. Se o que os dois travaram foi uma batalha poética, o anônimo levou uma surra digna de nota. ''Achei que era apenas uma provocação e só depois fui perceber o que ele estava fazendo'', afirma Justen, que entende que o seu blog acabou sendo um trampolim para a criação do personagem. ''O aspecto positivo foi colocar as pessoas em cheque e movimentar. Mas os ataques pessoais foram muito ruins, o que acabou predominando.'' O poeta e tradutor, cujo blog é um dos poucos registros das palavras de Bocágil - uma vez que o endereço criado pelo anônimo saiu do ar há duas semanas -, ainda entende que o personagem seguiu uma linha comum em Curitiba. ''É difícil encontrar uma visão crítica equilibrada por aqui. Ou as pessoas são ufanistas, como David Carneiro, ou virulentas e de ataques pessoais, como agiu o Bocágil.''


