Enquanto o Ministério Público (MP) coloca em questão o fechamento definitivo da Pedreira Paulo Leminski, um movimento corre as listas de e-mails na internet com um abaixo-assinado por sua reabertura. No ínterim, Curitiba segue sem seu maior espaço para shows, com capacidade para 25 mil pessoas, que já recebeu Paul McCartney, David Bowie e o penúltimo show dos Mamonas Assassinas.
O último evento realizado no local, no Abranches, em área de 130,5 mil m2 contígua à Ópera de Arame, foi a encenação de Paixão de Cristo, em abril. O último show, em agosto de 2008. Na ação civil pública ambiental encaminhada à 4ª Vara da Fazenda Pública, o registro das primeiras reclamações é de 2005. O Curitiba Festival 2007, de dezembro daquele ano, aparece exemplificado como excesso maior.
O som, tal como descreve o promotor responsável, é de "altíssimo volume, perturbando o sossego da vizinhança num raio próximo a 1000 metros". "Tais eventos se estendem até altas horas da madrugada como, por exemplo, o corrido em 1º/12/2007, quando a apresentação de cinco bandas iniciou-se às 21 horas e terminou às 5:45 da manhã", escreveu na ação o promotor de justiça Sérgio Luiz Cordon, cujo pedido de liminar foi acatado pelo juiz, a quem cabe, hoje, a autorização para a realização de shows no local.
No momento, o promotor aguarda a nomeação de um perito que vai avaliar as condições técnicas de realização de eventos na Pedreira. "Para ver se ocorrerá o fechamento definitivo ou não", aponta. "Como é pedreira, é à céu aberto. A pergunta é se é possível isolar o som. Até que me provem o contrário, não acredito nisso", diz. Cordoni afirma que o MP é sensível à movimentação popular - que já reúne mais de cinco mil assinaturas pela reabertura no www.apedreiraenossa.com.br -, mas afirma que por outro lado há a reclamação de 134 moradores do entorno (que motivou a ação). "Mas tudo não passa de uma questão técnica: dá ou não dá para fazer shows", define.
A questão é polêmica e as opiniões são mistas mesmo entre os moradores do local. O publicitário Luiz Cozin, 21, vive no bairro desde 2001. Mesmo sem ser perito, diz que em alguns shows não era possível ouvir do lado de fora, como o do Pearl Jam, e outros, como o de Avril Lavigne, que ouviu "inteiro em casa". O que, em sua opinião, é muito legal. Morava há 350 metros da Pedreira; hoje está a duas quadras. "Mas no último show, que teve Inimigos do HP, era nítido que o pessoal iria reclamar. Não sei se foi mal organizado, mas estava um caos", afirma o jovem.
Cozin já esteve na Pedreira em shows de Jota Quest, Ivete Sangalo e Black Eyed Peas. "Tirando a condição de chuva, é um local fantástico para show", opina. Quase vizinho seu, Braulio Cesar Chekuin mora a uma quadra da porta do local desde que nasceu, há 35 anos. Foi em shows na Pedreira quando ainda era solteiro e, mais recentemente, apenas nas encenações da Sexta-feira Santa. "Quando tem show, trava a paz e o sossego", afirma. A fila passa pela porta de casa, mas, ele diz, o som dos músicos nem incomoda tanto. "É vendedor ambulante, cerveja e bagunça a noite inteira", aponta.
Questionado pela FOLHA, responde acreditar, sim, que seria possível conviver com shows no local. "Mas teria que ter regras, um policiamento mais ostensivo, horário definido, equipe de organização e limpeza", diz. "Eles limpam a rua, mas não a minha calçada."

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