É a crise econômica
O coordenador do curso de Propaganda e Marketing da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Marcos Leite, acredita que apesar da fé, o crescimento do marketing religioso é evidente. ''Temos muitos trabalhos que já estudam esta tendência. E o que percebemos é que há um efeito cascata, em que as crises sociais levam a uma explosão religiosa e as empresas tentam buscar uma identificação com o consumidor por este lado'', explicou Leite. Ele afirmou que isso não acontece só com a fé, mas também com a questão ambiental e social.
Contudo, Leite acredita que, em Londrina, a maioria dos empresários ainda está na fase de investir em qualidade e atendimento, para depois partir para esses diferenciais.
''Uma revista nacional publicou que o mercado religioso cresce cerca de 30% ao ano, o que significa uma receita de aproximadamente R$ 3 bilhões.
É claro que algumas pessoas já notaram isso, mas ainda acho que a maioria faz porque acredita em algo'', declarou o coordenador. Mas ele disse que ainda não há estudos que constatem a influência sobre os clientes.
Segundo padre Walter Diniz dos Santos, da assessoria de comunicação da arquidiocese de Londrina, ''semelhante atrai semelhante''. Portanto, este tipo de atitude pode cativar um público específico. ''Dentro das igrejas existe a visão de ajudar o próximo e a gente aproveita para incentivar estas iniciativas privadas. Mas cada um tem poder de escolha, senão a comunidade se transforma em gueto'', explicou o presidente do Conselho de Pastores de Londrina, Édson Oliveira.
Outro fator importante, citado pelos dois representantes das igrejas é que não basta publicar a palavra de Deus sem praticá-la no dia-a-dia. ''Uma hora ou outra o consumidor que se identificou com a mensagem percebe que está sendo enganado e deixa de frequentar o local'', alertou o pastor.
O pastor também relembra que o slogan não deve ser um amuleto para o comerciante e sim uma expressão de sua fé. Padre Walter completa que ''se o empresário semeia uma fé débil, não haverá frutos para colher''.
É o que acredita o dono de uma revendedora de veículos na Vila Nova, Área Central, Rubens de Mello. Desde 1999, ele estampou na parede da concessionária a mensagem ''Deus é Fiel'', mas garante que nunca usou o nome do Senhor para vender carros.
''Isto é o que está escrito na Bíblia, eu não inventei. Os meus clientes me procuram porque me conhecem e sabem que sou honesto'', alegou Mello. Ele contou que a mensagem atrai algumas pessoas que vão em busca de ajuda espiritual. ''Nestes casos a gente tenta ajudar sem interesse comercial'', contou o empresário. (C.R.)





