No auge do boom sertanejo dos anos 90, as duplas não saíam de casa sem uma grande estrutura por trás. Eram dezenas de assessores, produtores, técnicos de som e luz, músicos de apoio, bailarinos e aspones em geral. As gravadoras, empolgadas com as vendas milionárias, só faltavam carregar os artistas no colo.
  Mas a febre passou, a indústria do disco faliu e somente os maiores nomes do gênero se mantiveram sob os holofotes da grande mídia. Barradas das FMs e TVs, as duplas iniciantes tiveram de se adaptar aos novos tempos. Tempos de internet, MP3 e, principalmente, contato direto com o público. ‘‘Os meninos não têm um fã-clube oficial, mas nós cadastramos todo mundo que visita o site e a comunidade do Orkut’’, diz Carla Liberatore, que trabalha com Christian & Miguel. ‘‘Conseguimos lotar uma casa só com os amigos e esses contatos’’, garante.
  Atualizar o mailing e responder todos os e-mails também é tarefa obrigatória no dia-a-dia de Eric & Matheus. De acordo com os cantores, até os radialistas já encaram a internet como um termômetro de popularidade dos artistas. ‘‘Muitos contam que não dão conta de ouvir as centenas de CDs enviados para as emissoras. Então jogam o nome da dupla no Google e, dependendo do número de citações, apostam naquele artista’’, conta Matheus.
  Christian e Miguel, juntos há três anos, largaram seus empregos para se dedicar exclusivamente à música. Christian (nome de batismo Ismael), 31 anos, foi jogador profissional de futebol, com passagens pelo Atlético Paranaense, Paraná e Internacional, entre outros clubes. Miguel, 29, é formado em Processamento de Dados, mas já trabalhou como carteiro, gari, jardineiro e músico de apoio.
  Atualmente, os dois cantam de terça a domingo, às vezes em mais de um lugar por noite. Se o show inclui sua própria banda e dançarinos, o cachê fica em torno de R$ 3 mil. Valor que eles esperam ver crescer a partir de junho, quando seu primeiro CD e DVD, gravado ao vivo, chegar ao mercado. A música de trabalho, ‘‘Cintura da Muleca’’, será o cartão de visitas da dupla fora de Curitiba. ‘‘Então pega na cintura da muleca / Vai rebolando na festa / Fazendo a poeira subir / Fazendo a loirinha sorrir’’, diz a letra.
  Eric & Matheus, na verdade Joel e Almir, também têm um registro de show pronto para ser lançado. ‘‘Antes se gravava com orquestra, em estúdios de ponta. Já o som do sertanejo atual é mais cru, com menos instrumentos. Daí a moda dos CDs e DVDs ao vivo’’, explica Matheus.
  Aos 33 anos, o cantor conta que trilhou um longo caminho nos bares de MPB antes de assumir sua porção sertaneja. A história de seu parceiro é diferente. A bordo da dupla Eric & Henrique, ele chegou a emplacar um quase-sucesso nas rádios (‘‘Pele de Maç㒒, alguém se lembra?) e assinou contrato com a gravadora BMG. Colocada na geladeira pela multinacional do disco, os dois entraram numa fase de desentendimento e acabaram se separando.
  Com toda essa bagagem, Eric & Matheus se preparam para invadir as rádios brasileiras com a candidata a hit ‘‘Alô’’. Eis o refrão: ‘‘Alô, tô num bar / Chego já / Tô aqui batendo um papo, tomando uma gelada / Pode ir fazendo a cama pra que tem ama’’. Vai para o trono ou não vai? (O.G.)

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