Com seus 89 anos, dr. Milton Guimarães, ou simplesmente o dr. Milton, como é conhecido em Londrina, fez questão de receber a equipe da Folha vestido de branco, roupa que usa até hoje para exercer a profissão de médico. Na casa de esquina da avenida Higienópolis com a rua Piauí, construída pelos pais na década de 40, ele mora com a mulher, dona Maria Vilma Guimarães, e recebe sempre com a alegria característica, os filhos e netos.
O muro baixo da casa, ao longo dos anos, ganhou camadas de concreto e grades, mas isso não impede que todos os finais de tarde, dr. Milton se sente na varanda e admire o movimento da rua, além da beleza de uma árvore cinquentenária, nascida em frente à casa. ''Toda casa deveria ter uma varanda'', inicia a conversa, relembrando com saudades, os velhos tempos em que Londrina ainda era uma menina. ''Tudo hoje é muito diferente, mas a cidade é muito boa de se viver. Aqui fiz muitos amigos''. E complementa, como quem ensina: ''O indivíduo que tem um amigo, tem duas almas''.
Filho de agricultores ''que se encantaram pela cidade'', dr. Milton se formou em 1952 pela Universidade Médica do Paraná, em Curitiba, e iniciou a vida profissional na Santa Casa de Londrina, com grandes nomes da medicina londrinense. ''Dr. Otávio Genta, Dr. Caio Moura Rangel, Dr. Fialho, Dr. Carlos Costa Branco foram companheiros de profissão inesquecíveis'', faz questão de lembrar.
''Naquela época era permitido exercer dois cargos na área médica''. Foram 35 anos de medicina clínica, período em recebeu várias homenagens e 32 anos de serviços prestados ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, onde também teve os trabalhos reconhecidos e viveu muitas das histórias mais marcantes de sua vida.
Apesar da idade, o atendimento aos pacientes na área de gastroenterologia, ainda é feito no consultório instalado desde sua juventude, na rua Guaporé (Vila Nova). Justamente por causa da idade, as idas ao consultório foram reduzidas. Nada de se levantar tão cedo e ficar o dia todo fora, sem horário para retornar para casa. ''Hoje as limitações da vida me obrigam a trabalhar apenas das 14 às 18 horas. Antes em qualquer horário estaria à disposição. Mas enquanto a idade me permitir, quero trabalhar porque amo a minha profissão''.
Ser médico, para dr. Milton, exige uma dedicação toda especial. ''É uma profissão que está ligada ao sofrimento dos seres abandonados pela sociedade''. Ele compara os velhos tempos em que o médico atendia os pacientes em casa, conhecia a família e os problemas de perto. ''Hoje em dia tudo é muito diferente. Em muitos casos, não existe mais o sentimento de fraternidade humana. Vivemos sob o comando do vil metal'', critica.
Em toda a sua vida profissional, dr. Milton se orgulha de nunca ter tido nenhum problema ético. Feito que lhe garantiu uma homenagem especial do Conselho Regional de Medicina (CRM) quando completou 50 anos de carreira''.
Lúcido e muito falante, dr. Milton hoje tem mais tempo para se dedicar à família e às coisas boas da vida. No quintal da casa, faz questão de mostrar a jaboticabeira de 64 anos, que ele, até hoje, cuida com carinho, assim como o pé de jasmim, que florido, exala o perfume preferido do médico. ''São detalhes que fazem a diferença na vida da gente''.
Tendo também a política como uma das grandes paixões, enquanto jovem atuou na vida pública, exercendo a função de vereador em três legislaturas consecutivas, iniciando seu mandato pela antiga União Democrática Nacional (UDN), defendendo sempre a política da saúde.
''Foram 12 anos de dedicação e de projetos em defesa dos direitos, da preservação da sa© úde e do bem-estar do povo londrinense. Como vereador fui um ardoroso defensor da gente humilde'', relata.
Até hoje, muito ativo e fazendo questão de votar, dr. Milton acredita que através do voto, as pessoas podem fazer com que o país e a própria cidade de Londrina, vivam dias melhores. ''Precisamos mudar. O país do jeito que está não pode ser. E só nós podemos mudar a história''.

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