Dose certa de polêmica leva ao sucesso
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Paula Costa Bonini<br>Especial para a FOLHA 
Nascido em Londrina em 1962, Mário Bortolotto tem história para contar. Desde muito cedo, demonstrou interesse pela leitura e pela arte. Foi atrás de seus objetivos e hoje, com um trabalho reconhecido, desdobra-se como escritor, dramaturgo, cantor, ator e diretor.
Filho do meio de um caminhoneiro e de uma dona de casa, Bortolotto passou a infância em um bairro da periferia de Londrina. Divertia-se jogando bola na rua, brincando e brigando com a molecada. Ainda criança despertou o gosto pela leitura por meio de histórias em quadrinhos.
''Meu tio era surdo e apaixonado por histórias em quadrinhos. Ele morava no fundo de casa e tinha um guarda-roupa lotado de gibis. Eu aprendi a ler assim'', contou. Quando entrou na escola, com seis anos, já conhecia o mundo das letras, e, mesmo entrando no meio do ano, terminou como o segundo da classe.
Aos 12 anos, apesar da pouca idade, ele queria sair de casa, ''andar com as próprias pernas''. Decidiu entrar para o seminário, e lá dentro começou a atuar em um grupo de teatro. Logo orientava os atores e dava idéias de novas peças.
Passou cinco anos no seminário até que foi convencido pelos padres de que não tinha vocação para sacerdote. Aos 17 anos, tinha paixão pelos livros. ''Passei um ano lendo. Era frequentador assíduo da biblioteca. Meu negócio era ler'', admitiu. Concluiu o Ensino Médio, passou no vestibular para o curso de Letras, mas só ficou uma semana. Ele queria mesmo era ler, escrever, viajar e curtir a vida.
Assim que foi dispensado do exército, resolveu ir para São Paulo tentar a vida. ''De início, morava com meus tios, trabalhava em uma fábrica de tintas e à noite estudava teatro. Era bem corrido'', lembrou.
As dificuldades o fizeram voltar a Londrina, depois de seis meses na metrópole. De volta à cidade, estudou teatro e trabalhou com um grupo da Secretaria da Cultura e, em 1982, fundou o grupo de teatro ''Chiclete com Banana'', atual ''Cemitério de Automóveis''.
''Nosso grupo já tem 25 anos de estrada, já rodamos o Brasil, dormimos muito em alojamento, participamos de diversos Festivais de Teatro no país e hoje estamos sediados em São Paulo'', falou.
Durante sua caminhada, escreveu aproximadamente 50 peças teatrais e nove livros. Suas peças já ''rodaram'' o Brasil. Uma de suas peças, inclusive, foi encenada em uma faculdade de teatro, em Portugal. A peça ''Nossa vida não vale um Chevrolet'', por sua vez, foi traduzida e motivo de leituras públicas, na França. De quebra, alguns de seus textos foram traduzidos para o espanhol.
Questionado sobre suas inspirações, Bortolotto não titubeia ao afirmar: tudo que envolve o meio urbano, isto é, seus amigos, leituras, filmes, conversas e garotas, servem de fonte.
Partidário das palavras do poeta Chacal, Bortolotto defende que ''a vida é curta para ser pequena''. ''A gente não pode se limitar a fazer uma coisa só na vida. Eu faço de tudo. E faço tudo para me divertir'', falou. Além de escrever, também dirige peças, encena e integra duas bandas: ''Tempo Instável'' de Jazz Blues e ''Saco de Ratos'' de Blues-Rock. Mas, apesar das diversas atividades, garante que tem mais orgulho de ser escritor.
O artista, que atribui sua formação cultural a Londrina, considera-se uma pessoa feliz. E revela: quer continuar fazendo o que faz e pretende lançar dois CDs com suas bandas. ''Nunca fui um cara de fazer muitos planos. Vou vivendo. As coisas foram acontecendo para mim'', finaliza.


