APRESENTAÇÃO
Dos olhos de Ana Paula
à surpresa de Yuji Tsuda
Nos últimos tempos as telinhas brasileiras estavam em permanente invasão pela beleza da atriz Ana Paula Arósio e os irritantes gordinhos do DDD. Era, para a maioria, a face mais visível de profundas alterações experimentadas pela tecnologia e pela população do País. A telefonia, incluindo aí transmissão de dados e a Internet, antes considerada pelos governos militares um caso de segurança nacional, passava finalmente para a iniciativa privada.
‘‘Fernando, vamos vender o ar’’, costumava repetir o falecido ministro das Comunicações Sérgio Motta, o ‘‘Serjão’’, ao antever vantagens simultâneas para o governo. Primeiro, vendia-se o que precisava estar em permanente expansão, sob pesados investimentos, e não se podia manter sem correr o risco de sucatear todo um patrimônio da Nação. Depois, atraía-se o capital estrangeiro e, com ele, o interesse cada vez maior de multinacionais em investir no País, gerando emprego e riquezas. Finalmente, como definia Serjão, vendia-se o ar – as espelhos da telefonia fixa, a banda B da telefonia celular.
A presente edição, modesta e algo volátil pela importância do tema, dedica suas páginas a contar os ventos da mudança da telefonia brasileira e, particularmente, paranaense. Já tínhamos a história vitoriosa da Telepar, criada no governo Ney Braga, em 1963, e a primeira empresa nota 10 do Sistema Telebrás. E tínhamos a londrinense Sercomtel, instituída por Hosken de Novaes e desenvolvida graças ao esforço de gente de valor, como o ex-prefeito Wilson Moreira. Gente de valor como a telefonista aposentada Nilza de Castro, uma das três primeiras da Sercomtel, que conta com orgulho sua passagem pela empresa e até de um calo adquirido de tanto atender ao telefone.
Mostramos ainda a popularização do celular e os cuidados que se tem que ter com o melhor amigo do homem, sob pena de ser vítima de clonagem. O telefone é o tema de um ensaio fotográfico de duas páginas, assinado pelo fotógrafo Albari Rosa, ele também um feliz e inseparável proprietário de um celular.
Reunimos ainda a opinião dos presidentes da Sercomtel, da Tim Telepar Celular e da Global Telecom, que descrevem sem modéstia o que são as empresas que lideram e o futuro que vislumbram para a telefonia do Paraná. Yuji Tsuda, presidente da Global Telecom, confessa em seu artigo que acreditava antes que os brasileiros não eram muito chegados ao trabalho. Em pouco tempo no País, ele viu que errou feio.
Boa leitura.

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