Dos campos de futebol para o comércio
Quem passa em frente à Mercearia Zequinão, no bairro Jardim Social, não imagina as histórias que são lá contadas. O dono, Gabriel Alceu Zequinão, passa o dia contando e escutando piadas dos seus fregueses. Alguns vão até lá só para conversar. Outros viajam do Alto da Glória até o Jardim Social por pura fidelidade: tem que comprar com o ''Varanda'' - como é conhecido o proprietário. Varanda foi jogador de futebol. Os fregueses contam que era o melhor. Mas deixou os gramados para vender na mercearia fundada pelo pai há quase 60 anos.
Desde 1958, Varanda comanda as vendas no bar. ''Dizem que ele marcava mais gols do que o Pelé, fazia mais dribles que o Garrincha. Ele era o rei dos gramados'', relatou o freguês Sérgio Ruiz, que foi na venda apenas conversar. ''Venho sempre aqui''. Varanda não confirma as habilidades no futebol. Mas não nega. Na região, todos conhecem o Boteco do Varanda. ''Os fregueses são poucos, mas são fiéis. O meu comércio é pequeno. A gente vai se defendendo aqui. Quem não é freguês tradicional, vem apenas na emergência, quando falta papel higiênico em casa, por exemplo, e não quer ir ao mercado comprar só isso. Muitos vêm apenas pela amizade. Fazem daqui um paradeiro'', disse ele.
A venda tem poucos itens. Mas é forte na venda de carvão e de bebidas alcóolicas. Mesmo assim, não deixa de servir os moradores locais com chocolates e biscoitos. O ''negócio'' funciona das 6h30 às 18 horas, de segunda-feira a sábado. Aos domingos, abre até o meio-dia. ''Eu não posso deixar de vir. Se não venho, sinto falta daqui. Não pretendo me aposentar'', disse ele. Varanda é vaidoso. Não gosta de dizer a idade, mas conta histórias antigas... ''Nem me lembro mais minha idade'', brincou. (L.P.)





