Com os olhos arregalados, numa mistura de susto com tristeza, uma garotinha sem nome. A única companhia é um bonequinho azul. Com um ano de idade e pesando apenas cinco quilos, num quadro gravíssimo de desnutrição, ela foi abandonada pela mãe. Ninguém sabe quem são os pais, onde morava, quantos parentes perdeu no terremoto, enfim o tremor fez ruir as histórias e origens da pequena. Ela é mais uma das milhares de crianças que perderam tudo. Encaminhada ao Hospital de Campanha (HCamp) da Força Aérea Brasileira no Haiti por uma ONG, a garotinha tem destino incerto. Os pacientes podem permanecer no máximo por 72 horas na unidade médica.
O HCamp é um hospital de guerra, eminentemente cirúrgico, montado dentro de barracas de campanha, tem como finalidade estabilizar os pacientes e enviá-los para retaguarda. Mas no Haiti, passados os traumas mais graves após terremoto, os atendimentos clínicos e ginecológicos têm sido maioria nos últimos dias, devido ao colapso do sistema de saúde haitiano.
Mas nas enfermarias do HCamp não há só histórias trágicas, os sorrisos e a esperança surgem por todos os lados. Como a do pequeno ''Cris Love'', que nasceu faz sete dias. O nome em tradução literal ''Amor de Cristo'' foi dado pela mãe por ter resistido ao terremoto. Já nasceu encarando a morte. (S.R.)

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