A tela de um Monet vira um bordado com a reprodução perfeita do original, graças às mãos, as agulhas e as linhas coloridas de Fumiko Kimura, 85 anos. Viúva e mãe de quatro filhos - um deles falecido - ela tem hoje uma família constituída também por noras, genros, 12 netos e um bisneto.
Dona Fumiko passou a maior parte de sua vida na Fazenda Nomura, em Bandeirantes (Norte) e só nos últimos anos mudou-se para o centro da cidade, depois do falecimento do marido, Massaaki Kimura.
O casal entrou na propriedade rural em 1932. Ele, formado em economia no Japão e tendo frequentado aulas de adaptação na Fundação Alvarez Penteado, em São Paulo, foi um dos funcionários da administração da Nomura, que pertence a um grupo japonês.
Fumiko aprendeu a reproduzir telas de nomes famosos da pintura mundial, através do bordado, com a esposa do administrador geral da fazenda, Shigueru Ushikusa, a professora Tsuyako. ‘‘Comecei a trabalhar com bordados há 35 anos. Já fiz mais de 200 quadros. Só parei de bordar no tempo da Segunda Guerra’’.
Segundo Dona Fumiko, as aulas eram dadas na propriedade rural para mulheres de famílias contratadas, como ela. Mas quando a professora Tsuyako iniciou o curso, apareceram cerca de 30 alunas. Só ela, porém, conseguiu permanecer nas aulas.
Os cerca de 200 quadros produzidos, se tivessem sidos comercializados, teriam rendido um bom dinheiro para a artista. Mas Dona Fumiko informa energicamente que não borda para ganhar dinheiro. ‘‘Os quadros estão todos com os filhos e os netos. Cada um levou um pouco’’.
Na casa onde mora, Dona Fumiko mantém ainda algumas peças importantes produzidas por ela. Como ‘‘O Vaso de Flor’’, o primeiro trabalho, feito com linha de seda, pendurado na sala ao sala de uma reprodução de Monet. Ou ‘‘A Arara’’, na sala de jantar, o segundo bordado feito depois que a professora ensinou a arte para ela.
Para produzir um quadro de tamanho grande, de cerca de 1 metro de largura por aproximadamente 50 centímetros de altura, Dona Fumiko fica ocupada com o bordado por pelo menos um mês. Os detalhes da pintura original é que vão determinar o tempo de produção. Quanto mais os pincéis do criador trabalharam, mais as agulhas, as mãos e as linhas de Dona Fumiko terão que perfurar e colorir o tecido que serve de base para o bordado.
Além disso, a artista diz que a idade já não permite muita agilidade. Ainda assim, parentes e amigos dela costumam ser presenteados com um novo trabalho. Outros chegam a encomendar quadros. Exigente, Dona Fumiko faz questão de aproximar ao máximo o bordado da pintura original. Até nas cores ela é rigorosa. As linhas são tingidas para que as tonalidades necessárias sejam perfeitas. ‘‘Antes, ela chegava ao cúmulo de ir ao jardim com a linha para comparar com as cores das folhas e das flores’’, diz um afilhado.

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