Dólares não suprem falta do marido
A apucaranense Maria (nome fictício), 39 anos, vive há sete anos longe do marido. Enquanto João trabalha na cidade de Hapton, nos Estados Unidos, como chefe de cozinha, marceneiro e até como funileiro para lhes proporcionar uma vida melhor, ela vive com os filhos em Apucarana, no interior do Paraná. ''Financeiramente valeu a pena, mas pela família não'', afirma Maria.
Quando o marido dela foi embora, a família tinha apenas um carro Gol e pagava prestações do financiamento da casa. Hoje, com os dólares que João manda para Apucarana, eles já compraram duas casas, dois apartamentos, duas chácaras, dois Gols e um Golf.
Porém, apesar da conquista financeira, Maria afirma que a família sofreu muito com a distância. ''Hoje eu já nem sei qual é o limite da saudade, porque já senti tanto'', confessa. A dona-de-casa garante que dinheiro nenhum compra o carinho, o afeto e o amor de uma família. Depois de tantos anos distante do marido, Maria diz que a esposa ainda está viva, como mãe e amiga, mas a 'mulher' já não existe.
Quando João foi para os Estados Unidos, em meados da década de 90, deixou uma filha com nove anos e um menino de três. Depois de cinco anos da partida, a família tentou se reunir. ''Há quatro anos, tentei entrar nos EUA, mas fui deportada'', relembra. A experiência foi tão traumática para a família, que somente agora Maria consegue falar sobre o que aconteceu.
''Por duas vezes tentei tirar o visto no consulado, mas eles não me deram'', declara. Foi então que João conheceu um rapaz brasileiro que conseguiria o visto em troca de R$ 20 mil. Maria não mediu esforços, mandou todos os documentos pessoais, um cheque no valor de R$ 3 mil, além da promessa de entregar os documentos do carro na hora do embarque, totalizando os R$ 20 mil.
Assim que pisou no aeroporto de Orlando, na Flórida, ela foi cercada por policiais. ''A única coisa que me disseram foi que meu visto era falso'', relembra. Em 40 minutos, Maria e os dois filhos estavam de volta para o Brasil. ''Felizmente não perdemos nada''. Ela conseguiu sustar o cheque e recuperar o documento da moto que tinha entregue, por engano, no lugar do documento do carro.
Quando desceu em São Paulo, foi levada para a Polícia Federal onde passou oito horas prestando depoimento. ''Falei tudo, o nome do rapaz, onde encontrá-lo. Até dei o telefone dele. Mas, nunca falei que meu marido estava lá'', garante. A experiência foi tão traumática, que mesmo hoje, passados dois meses que o marido dela conseguiu o Green Card, Maria ainda tem dúvidas se quer voltar aos EUA. (C.R.)





