O preço do bushel da soja na Bolsa de Chicago dia 30 de setembro deste ano (US$ 8,73) foi o menor para um fim de mês desde 2009, início da série histórica do investing.com . Naquele dia, o preço internacional do grão era metade do pico histórico de U$ 17,54, de 31 de julho de 2012. Não fosse a apreciação do dólar, que começou o ano valendo R$ 2,69 e chegou ao fim de setembro a R$ 3,97 (alta de 47%), o produtor brasileiro teria todos os motivos para reclamar na safra 2015/16.
Mas, graças ao câmbio, o preço em reais da saca no final de setembro, R$ 76,40, estava muito próximo ao do pico de 2012, R$ 78,49, sem considerar a inflação. Se o dólar estivesse no mesmo patamar do início do ano, a saca valeria somente R$ 51,77 no final do mês passado. Imagine então, se o câmbio fosse o mesmo de junho do ano passado. Neste caso, a saca do grão não chegaria a R$ 43.
O presidente da Associação de Soja (Aprosoja) no Paraná, José Eduardo Sismeiro, afirma que os produtores que compraram seus insumos antes da disparada do dólar vão ter um bom faturamento na safra 15/16 e poderão formar uma poupança para se garantir na safra seguinte, que será imprevisível. "Já vimos em outras épocas o dólar disparar, mas, depois, descer rápido. Isso é preocupante", declara.
Para o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Marcelo Garrido, a situação atual do sojicultor é boa devido ao câmbio. Ele não aposta em um cenário ruim no futuro próximo. "Não tem como o dólar ficar em R$ 4 por muito tempo, mas também não vai baixar muito. Vai ficar na faixa de R$ 3,50 que é um valor que mantém o produto brasileiro bem atrativo", aposta.
Já a economista da Federação da Agricultura (Faep), Tânia Moreira, considera que o cenário atual, devido a fatores internos e externos, é de "gerenciamento de custo e administração de risco". Crise econômica, inflação, volatilidade do câmbio, expectativa de uma super safra nos Estados Unidos, desaceleração da China, são fatores que devem ser acompanhados de perto.
Ela ressalta que o pior que pode acontecer aos produtores no ano que vem é comprar insumos com dólar alto e vender a soja com um real mais apreciado. De acordo com a economista, 80% dos insumos para a safra 2015/16 no Paraná foram comprados quando o dólar estava a R$ 3,20. "Agora estamos negociando a soja com um dólar a R$ 4.". De acordo com Tânia, 35% da soja que ainda está sendo plantada já foi vendida nessas condições, o que representa boa vantagem ao produtor. "O problema é que não temos garantia de continuidade deste cenário. Mas o produtor paranaense está bem instruído, adotando estratégia certa, olhado para o cenário de risco", declara.
Se o dólar alto favorece quem exporta, atrapalha quem produz só para o mercado interno. O gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra ressalta que nem todo o agronegócio é beneficiado pela desvalorização do real. "A produção de arroz e feijão está num ritmo um pouco mais lento porque a influência do dólar alto só aparece no custo de produção", afirma.
Ele ressalta que o agronegócio é responsável por mais de 40% das exportações brasileiras. E é altamente superavitário no comércio internacional. "Quanto mais alto a taxa de câmbio melhor para o setor", afirma. Turra diz, no entanto, que a moeda norte-americana não pode subir ao nível de tornar a economia insustentável como um todo.

Imagem ilustrativa da imagem Dólar alto compensa preço baixo em Chicago
Se o câmbio fosse o mesmo de junho do ano passado, a saca do grão não chegaria a R$ 43
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