Um quarto, uma cama, duas pessoas. Fórmula simples? Nem tanto. Muitas vezes a receitinha caseira acaba sendo substituída por várias pessoas, uma suíte gigantesca e uma festa de arromba. Por mais estranho que possa parecer, a excentricidade não é uma exceção. Segundo alguns proprietários de motel, a prática se torna cada vez mais comum.
‘‘Os horários mais inusitados são os mais concorridos’’, conta o dono do Black Stallion, José Dorigo Neto. ‘‘Segunda-feira, às quatro da tarde, é um horário super procurado para estas festinhas’’, exemplifica. Recentemente, segundo contou, um grupo de 20 pessoas alugou uma das grandes suítes para fazer uma festa de despedida de solteiro.
Nestes casos, o preço é combinado antecipadamente e varia de acordo com o ‘‘número de pessoas e a natureza da festa.’’ Segundo o proprietário, é preciso levar em conta se haverá risco de danificar móveis ou objetos da suíte.
O gerente geral do Motel Le Piége, Renê Jorge Ferreira, conta que a suíte Paris, a maior e mais luxuosa da cidade, também é solicitada para ‘‘comemorações’’. O quarto tem 380 metros quadrados, conta com piscinas, visor panorâmico, cascata, fonte luminosa, lareira, saunas e outros, dispostos nas áreas externa e interna. O preço pago por quatro horas na suíte é R$ 299,00.
‘‘Quando alugamos para festas, o preço sobe R$ 70,00 por pessoa’’, explicou Ferreira. Recentemente, oito pessoas alugaram o local para uma festa de aniversário, contou ele. O gerente comentou que o fato de seu público ser extremamente selecionado evita os possíveis transtornos com as festas. ‘‘Estou aqui há 11 anos e nunca tivemos nenhum problema deste tipo’’.
Sorte a dele. Outros motéis registram constantemente situações desagradáveis, como a entrada clandestina de clientes, que ainda utilizam o antigo truque de se esconder no porta-malas do carro, e o assédio aos funcionários da casa.
O dono do Black Stallion explica que, quando é detectada a presença de mais de duas pessoas no quarto, sem o prévio aviso à direção, elas são obrigadas a pagar o dobro do valor da suíte. Ele diz que é fácil detectar, já que as pessoas falam alto, dão risadas e ‘‘esquecem’’ que entraram ali escondidas.
Outro problema frequente, segundo explicou, é o assédio aos funcionários, principalmente às recepcionistas. ‘‘Tem gente que vem aqui sem nada a perder, trazendo uma garota de programa, por exemplo, e tenta convencer a recepcionista a participar da festinha’’, contou Dorigo.
Em outros motéis, as festas com um número muito grande de convidados não são permitidas. É o caso do Capricci. ‘‘O número máximo por suíte são três casais. Assim evitamos o risco de muita bagunça’’, diz o gerente, Paulo Laba. Segundo ele, as reuniões de até seis pessoas são ‘‘relativamente comuns’’.(S.M.)

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