OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO
Documentos retratam o
ambiente dos judeus
MartírioFACE DA DOR: ‘‘Cristo carregando a cruz’’, de Bellini (abaixo), século XV, no Isabella Stewart Gardner Museu, em BostonCristo ressuscitadoENCONTRO COM MAGDALENA: À esquerda, detalhe da tela ‘Noli me tangere’, pintada por Ticiano no século XVI, em exposição na National Gallery, em Londres. O pensamento renascentista redescobriu Deus na imagem do homemHá mais de um século pesquisadores tentam vencer os preconceitos
religiosos e a escassez de informação para montar
o retrato do homem que existiu por trás do Messias
Encontrados entre 1947 e 1956, em cavernas próximas às ruínas de um convento em Qumran, a 25 quilômetros de Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto contêm as mais antigas cópias conhecidas do Velho Testamento. Escritos num período que vai de 150 a.C a 70 d.C., os textos traduzidos até agora não fazem referência direta a Jesus, mas ajudam a entender o ambiente em que Cristo viveu, revelando uma fartura de informações sobre os judeus daqueles tempos.
São cerca de 900 pergaminhos, muitos deles apenas fragmentos, tidos como uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX. A tese mais aceita pelos especialistas sustenta que os manuscritos foram escritos pelos essênios, que constituíam uma comunidade de vida religiosa da época. Temendo um ataque romano, eles teriam escondido os textos em vasos de cerâmica guardados em cavernas.
Os essênios eram escatológicos (pregavam permanentemente o fim dos tempos) e teriam voluntariamente se retirado para o deserto. Viviam em comunidade, em rigorosa observância da lei mosaica e sob uma disciplina severa. Qumran significa lua dupla, devido ao reflexo da lua no Mar Morto.

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