Documentos e dinheiro no caminho
Nem só de bituca de cigarro, chiclete e papel de bala é feito o lixo que os garis recolhem nas calçadas. Eliane Joanico já encontrou documentos e dinheiro no caminho de sua vassoura. Em um desses casos, uma senhora havia perdido uma sacolinha com o carnê de cobrança do IPTU e o registro do imóvel. ''Avisei o porteiro e ela veio buscar comigo'', conta a varredora. Só em moedas Eliane diz que chega a juntar cinco reais no final de uma semana. Mas em outros episódios ela encontrou, 10, 64, 100 e até 151 reais perdidos na rua.
Sobre o tratamento dado aos garis pelos pedestres e motoristas, Eliane admite que ela própria tinha preconceito com relação à profissão. ''Quando entrei a intenção era ficar um ano. Tinha uma vergonha que Deus me livre. Nem para os parentes eu contava'', lembra. ''Depois acostumei, tenho o maior orgulho. Faço com o maior prazer'', afirma a gari. Antes de trabalhar como varredora, Eliane nem reparava no trabalho realizado por esses profissionais. ''Nunca parei para olhar. Nem sabia que tinha uma empresa que fazia isso. Não pensava em porque a cidade estava limpa'', revela.
Agora ela testemunha de perto todo o tipo de comportamento dos pedestres e motoristas. Eliane conta que alguns pedem desculpa por ter jogado o lixo no chão, outros tentam acertar o cesto quando passam com o carro e alguns dizem que ela está ali ''para varrer mesmo''. ''Se não sujassem onde a gente ia arrumar emprego? Só não gosto quando jogam onde eu acabei de limpar'', diz a varredora. (D.R.)





